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breve registro sazonal dessas árvores

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Há algumas semanas atrás eu estava andando pela rua, quando um senhor muito querido me para e diz "parece que você vem de um conto de fadas". Depois de agradecer, continuei meu caminho e fiquei refletindo sobre como me comporto enquanto estou passeando, e entendi porque o senhor havia me dito aquilo. Sempre que coloco meus pés para fora de casa, seja para ir trabalhar, passear ou apenas comprar uns tomates no mercado aqui do lado, fico admirando meus arredores com olhos encantados de uma criança ingênua.
O contraste luz/sombra, as cores das novas flores que estão começando a brotar com a quase chegada da Primavera, a textura das folhas, os charmosos telhadinhos que erguem minha cabeça, tudo é motivo para me fazer caminhar faceira em contemplação, e acho que é isso o que me torna uma pessoa tão satisfeita no final do dia. Gosto muito (muito mesmo!) de comparar a mudança da natureza ao longo das estações. Você já reparou o quanto que as árvores mudam em questão de semanas? E …

feitiço para amizade entre mulheres

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meia noite no chão do meu quarto alguns pratos com umas comidas pré-prontas e gostosas uma garrafa do chardonnay mais barato da prateleira duas taças de tamanhos diferentes três velas que geralmente uso para meditar os pés descalços o zíper do jeans aberto
a tímida lua minguante esconde seu sorriso
ela partilha dores que não sou capaz de compreender tentei sentir seu sofrimento mas nunca vesti sua pele apenas ouvi e disse que estamos todos fodidos era o que eu podia fazer na hora
conto momentos do meu passado que evito recordar ela sente que estou prestes a chorar ela chora eu choro não consigo continuar a história ela larga a taça de vinho no chão ela me abraça era o que ela podia fazer na hora
quem cruza a janela do meu quarto projeta o fluxo de fofocas e venenos a compra de uma saia da moda algum homem que não nos dá bola quando comparamos o poder de compra entre Londres, Paris, Madri e Porto Alegre desenvolvemos ideias brilhantes para nossas empresas
ela me explica sobre um vídeo…

a culpa de viver leve

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Lá estava eu vivendo um momento passageiro de repleta harmonia no conforto do meu quarto após uma jornada de trabalho. Minha cabeça repousava em um dos braços da poltrona e minhas pernas se escoravam no outro; meu corpo retratava o formato de um cálice. Minhas mãos seguravam o livro la mythologie au feminin, meu peito respirava leve e macio e meus olhos perdiam o fluxo da leitura de tanto querer contemplar as florzinhas brancas e os novos brotos de folhas verdes e brilhantes que decoravam a árvore desnuda à beira da minha janela. Ah, que momento gostoso de viver... Tão gostoso que parece não ser verdade, não é? Quer dizer... Não pode ser verdade, pois eu não estava produzindo coisa alguma, tampouco estava angustiada; não estava vivendo sob pressão. Acorda, Amanda! Você tem coisas a fazer! Sempre há algo a ser feito! Não pode parar! Não dá para relaxar! Bora! Hop, hop, hop!
Aquele meu momento glorioso de relaxamento foi cortado por um esse turbilhão de pensamentos e culpa. E prestes a…

devilish - não espero halloween para ser diaba!

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Quem me conhece sabe o quão envolvida com arte sou e, apesar de não ser especialista em arte alguma, divirto-me muito explorando e aprendendo novas técnicas e formas de expressão. Ultimamente tenho me dedicado à escrita, principalmente poesia, e venho sentindo uma enorme satisfação com o progresso que fiz desde o primeiro poema que escrevi. Contudo, como não consigo fazer apenas uma coisa por vez, tenho também praticado desenho - esse mais esporadicamente. Uns rabiscos aqui, umas corzinhas bacanas acolá et voilà: eis que descubro uma nova paixão!
Eu tinha deixado um pouco de lado meus desenhos, e recentemente me dei conta do porquê: eu estava desestimulada pela falta de markers novos. Estava basicamente enjoada de pintar com as mesmas cores de sempre, até que decidi ir à loja Flying Tiger, que amo-de-coração-e-tenho-ataques-de-fofura, e comprar umas canetinhas novas. A Flying Tiger não é especializada em desenho, na verdade, é uma loja baratinha e encantadora com artigos para casa, s…

tela crua da alma

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Desde que resolvi me tornar minha melhor amiga (sim, é possível!), uma mágica jornada espiritual e de autoconhecimento começou a faiscar dentro de mim, e em algum dos muitos vídeos e livros que devorei sobre o tema em questão, deparei-me com uma analogia entre nossa alma e a tela de um artista. Quando nascemos, nossa alma é uma tela crua sem cor alguma, e esse é o genuíno aspecto de quem somos, contudo, enquanto crescemos recebemos pinceladas das mais variadas cores de diversos pintores afora. Esses pintores são nossa própria família, amigos, professores, vizinhos, a cidade onde moramos e nosso meio cultural, a mídia, traumas, bloqueios e tudo o que nos cerca e nos molda. Cada influência a nossa volta deixa uma marca de cor em nossa tela e, por vezes, quando analisamos essa obra de arte que somos, enxergamos tantas cores, tantas marcas e manchas, que já não podemos mais lembrar a crua e pura cor de nossa alma.

Não sabemos quem somos. Não reconhecemos nossa essência, e se por alguns seg…

o último quarto da lua

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as velas
as chamas
o amarelo que desenha dançarinas estranhas
o resto da sopa que deveria me aquecer
o fluxo das gotas que decoram a janela do meu quarto
trazem aconchego
e um suspiro solitário

o último quarto da lua
arranha as paredes do meu útero
pressiona de mansinho meu peito frágil
faz carinho no meu rosto
namora minha boca
de beijinho em beijinho
como se tivéssemos a noite toda

meu dourado halo desmorona
derrete
escorre
se funde lento e viscoso
à lava que jorra meu vulcão
não há para onde fugir
deixo a cidade pegar fogo
sinto a dor
até o
fim

Château de Versailles + bora viajar com qualidade?

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Weekeeeeend! Normalmente trabalho aos Sábados até 3pm, mas quando soube da linda notícia de que teria folga nesse último Sábado que se passou, corri ferozmente em direção ao meu laptop para planejar alguma tripzinha bacana fora de Paris, porque me dei conta de que ando vivendo uma bolha parisiense, e essa França tem mais a oferecer, né não? Estou em uma vibe de querer explorar castelos, e como moro a 1h de Versailles resolvi visitar seu tão renomado château.
Ticket comprado, rota traçada, fones de ouvido plugados: bora! Galera, eu não preciso nem dizer que o castelo é estonteante e ostensivo. É arte em cada detalhe, cada cantinho. Extensas e minuciosas pinturas nos tetos, as paredes forradas em veludo, coleção de obras artísticas onde quer que se passe, mas o que mais amo em castelos/museus/catedrais é a amplitude dos cômodos, que fazem com que eu me sinta como uma pequena formiguinha que observa em silêncio.


Caminhando pelos corredores, eu sentia um forte impulso de tirar fotos - aq…