Aqueles filmes da adolescência (que eu ainda amo!) com valores distorcidos


Assisti a Um Lugar Chamado Notting Hill pela, sei lá, trigésima vez? Acho que a última vez que eu tinha assistido a esse filme, eu ainda era uma adolescente com valores distorcidos, e sem noção alguma de como um relacionamento amoroso funciona na prática. Veja bem, eu "aprendi" muito sobre amor e padrões de beleza com os filmes da virada do milênio.

Eu amava aquelas comédias românticas! O Diário de Bridget Jones, O Amor Não Tira Férias, Como Perder Um Homem Em 10 Dias, Legalmente Loira, e por aí vai. Meu namorado não curte esse tipo de filme, então, juntos, normalmente assistimos a séries mais pesadas, dramas, documentários - aquilo que falam sobre encontrar a common ground, algo que sirva para ambos.

Sami passou uma semana viajando, e eu pensei "vou aproveitar e assistir a todos aqueles filmes girly da minha adolescência", junto de Gin Tonic, sorvete de morango e skincare.

Oh! Que semana adorável!

Foi quando assisti a Notting Hill. Como esperado, eu não recebi o filme da mesma forma, com aquela ingenuidade (ignorância?) dos meus anos adolescentes. Eu não via nada de errado quanto ao enaltecimento exacerbado da beleza de Julia Roberts, e eu ainda acreditava no bom e velho felizes-para-sempre. E o pior de tudo era que eu acreditava que se eu fosse tão bela, magra, diva e elegante quanto ela, eu também teria direito ao meu felizes-para-sempre.

Cara, que adolescência doentia...

E eu estava ali, com máscara facial no rosto, e uma taça de Gin Tonic na mão, imersa no meu momento glamour com um ponto de interrogação que pinicava minha cabeça: Por que estou assistindo a esse filme?

Parte de mim se recusava a assitir aos valores deturpados dos anos 2000, mas uma outra parte queria ir até o fim, repetir I'm just a girl standing in front of a boy, asking him to love her junto de Julia Roberts, e aceitar de braços abertos o felizes-para-sempre.

Se eu assistisse a esse filme, hoje, pela primeira vez, eu o teria largado de mão logo nos primeiros 20 minutos. Contudo, essa não é a primeira vez, e não importa quantas vezes eu assista a Notting Hill, eu sempre serei transportada para uma época em que eu acreditava em um amor ideal, na eternidade da beleza e jovialidade; uma época em que eu sonhava acordada com minha vida no exterior, esperando pelo dia em que eu também passearia pelas ruas de Notting Hill.

Com tudo o que vem acontecendo no mundo, uma parte de mim quer voltar para aquela ilusão temporariamente, como uma curta viagem de fim de semana, carregando toda leveza, esperança e paixão que couber na mala.

Comentários

  1. É doido perceber que crescemos sendo 'nutridas' de uma indústria tóxica e nada neutra em seus modelos e padrões de vida. Ao mesmo tempo, acho muito bom quando nos deparamos com filmes, séries antigas e conseguimos ter esse novo olhar crítico. Penso que é por aí... porque temos sim aquele apego nostálgico, mas já não tentamos justificar cada coisinha na obra em si, porque tem coisa que já deu, né? haha.
    Amanda, eu estou lendo a saga Twillight pela primeira vez. Assisti os filmes na adolescência, e agora lendo os livros amo toda aquela vibezinha chuvosa de Forks, e ainda me divirto acompanhando essa história, mas hj vejo como tem muita coisa problemática na Bella, por exemplo. Leio o tempo todo pensando "uma terapia ia fazer um bem pra você, garota!", e é isso.

    ResponderExcluir
  2. Twillight! Eu li os livros e assisti aos filmes na adolescência, e achava que tava tudo bem, que ela tinha esse charme inseguro, mas bem como tu disse "uma terapia is fazer bem" haha!
    E sim, tem coisa que já deu! É importante entender por que estamos assistindo esses filmes novamente!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Hello!

O poder da leitura

Analisando sonhos