Leitura, solitude e limites


Bom dia! Já faz um tempo que quero compartilhar alguns insights sobre o livro Mulheres que correm com os lobos. Ele tem quase 500 páginas, e até o momento li umas 300 e poucas, mas já o amei desde o primeiro capítulo. Eu sempre achei que esse livro fosse um romance, mas, na verdade, é narrado por uma psicanalista e cantadora (storyteller, uma pessoa que coleta e conta histórias), que usa fairytales e folktales como uma forma de análise e cura.

Suspiros.

Cada capítulo é composto de uma ou mais histórias, e ela vai desmembrando cada parte, explicando a simbologia de cores, objetos, ações, estações, sonhos, símbolos. Ela faz uma análise linda e minuciosa de arquétipos, deuses e, principalmente, da Wild Woman, Mulher Selvagem, La Que Sabe, Mulher Entre Rios, ou como você preferir chamar.

Não estou pronta para terminar esse livro... Eu queria que ele tivesse mil páginas, duas mil páginas.

Ele é bem focado para mulheres, um chamado para assumir suas vontades, nossas vontades, nosso ritmo, nossa arte, nossa forma de voltar para casa, nosso tempo de solitude. Eu não poderia colocar todos os insights que tive em apenas 01 post, então já vou avisando que muitos dos posts que vão entrar em erupção por aqui serão provenientes dessas reflexões que vieram com o livro. Então vamos por partes:

1. VOLTANDO PARA CASA

Nunca fui de viver em comunidade, de passar muito tempo com minha família, de precisar de companhia, e eu me sentia culpada por isso, um tanto individualista, egoísta. Felizmente, esse livro está sendo um consolo, um tapinha nas costas e um "tá tudo bem ser assim".

Eu tive algumas discussões com meu namorado quanto a esse comportamento, principalmente quando começamos a morar juntos. Ele demorou um pouco, mas finalmente entendeu que preciso de silêncio e introspecção pela manhã. Tem dias que preciso de uma hora, duas horas, três horas ou mais. Durante a semana é tranquilo, pois ele sai de casa cedo para trabalhar, mas nossos desentendimentos explodiam no final de semana, quando ele queria conversar, planejar o dia, colocar música alta. E eu me sentia culpada por fechar a porta do quarto, por ter que explicar que vou estar indisponível por um indeterminado período de tempo, que nós não vamos tomar café da manhã juntos, que eu não vou "fazer sala" e conversar com visitas. Eu posso até passar o café e preparar a mesa com todo amor e frou-frou possível, mas eu não vou me sentar à mesa com visitas pela manhã.

Eu tentei durante um tempo, mas não durou muito. Sem esse tempo de introspecção, o resto do meu dia é perseguido por mau-humor e sobrancelhas franzidas. Portanto, minha solitude matinal é não-negociável. E sabe, ele começou a entender e, até mesmo, desfrutar desse momento, adentrando sua própria zona de introspecção matinal. Ele, na sala de estar. Eu, no quarto.

Hoje em dia, já não tenho que explicar "Olha só, eu vou fechar a porta do quarto e fazer minhas coisas sozinha, eu preciso desse tempo, mas depois eu volto". Hoje, temos uma palavra para isso, em Inglês: caving. Cave é caverna, e quando preciso "cavernar", eu apenas digo "I'm gonna cave now", e fecho a porta do quarto com uma longa caneca de café preto.

É nesse caving moment que eu volto para casa, para minha Fonte da Alma, no meu ritmo. Faço yoga, escrevo, leio, crio, organizo ideias, analiso meu comportamento, pondero o que me serve e o que não me serve mais. Eu volto para minha casa, eu me conecto com minha essência e recarrego minhas energias. E depois disso, posso voltar para meu namorado, meu trabalho, meus deveres com toda potência, joie de vivre e afeto.

Há dias que não posso voltar para casa, e ok. No final de semana passado, por exemplo, estávamos viajando com a família do meu namorado. Passamos quatro dias em uma ilha para o casamento da irmã dele, e por conta do trem, do barco, do carregar de malas pra cima e pra baixo, não pude ter essas horas de introspecção pela manhã, mas logo depois que chegamos, eu arranjei um momento para entrar na minha bolha, ler e contemplar qualquer pensamento que cruzava minha mente.

Nos dois dias seguintes, eu simplesmente ativei o modo caving matinal sem pensar duas vezes. Pode ser complicado fazer isso quando outras pessoas estão envolvidas. Quando eles me chamaram para tomar café da manhã com eles, eu sorri e disse "Muito obrigada pelo convite, é gentil, mas eu preciso ficar em silêncio logo pela manhã. Depois eu me junto a vocês!"

É uma longa caminhada a pé até desenvolver a confiança necessária, reconhecer suas necessidades e delinear uma linha até onde seu limite alcança.

Mas vale a pena :)

Comentários

  1. Amei esse post! Já quero saber o que mais você achou do livro e quais insights teve, estarei aguardando ansiosamente os próximos.

    Eu também tenho momentos de solitude. Eu amo estar com pessoas e boas companhias, mas eu preciso, na maior parte do tempo, do meu momento sozinha. Amei a palavra "caving" e vou começar a "cavernar" por aqui também.

    Estante da Pipoca

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    1. Oii, Vitória! Ownn, obrigada pela tua apreciação! É tão bom compartilhar esses insights que nos ajudam a crescer!
      E sim! Cavernar é um verbo que tem que entrar para nossa lista de vocabulário essencial haha

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  2. Vou amar acompanhar seus posts e ir me preparando tbm pra essa leitura, que está me esperando na estante.
    Amanda, engraçado que estar em silêncio em momentos específicos do dia para almas como a nossa parece algo instintivo, eu mesma, sinto uma falta quando não sento pra desabafar no meu diário e ler meu livrinho ou ficar só existindo imersa nos pensamentos da manhã. Infelizmente, algumas pessoas ainda não entendem, mas como vc disse... Importante é a gente saber nossos limites, se conhecer e ir deixando tudo claro, ao menos tentando dialogar.

    Silêncio pela manhã, tempo consigo mesma... É vida ♥️

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    1. Liz!! Sério, esse livro é must-read para todas nós! Pelo amor, me avise quando você começar a leitura! Quero saber o que você achou também!

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