Analisando sonhos


No post passado, comentei sobre um dos vários insights que venho tendo com a leitura do livro Mulheres Que Correm Com Os Lobos. Aquele tipo de insight que te faz repousar o livro sobre o peito e encarar o teto pelo tempo que for necessário. Aquele momento súbito que te (haaa...) deixa pasma e boquiaberta, seguido de um agora-tudo-faz-sentido!

Meu livro favorito, até então, era O Direito De Escrever, por Julia Cameron. Desculpe aí, Julia, eu te admiro, mas seu primeiro lugar no pódio foi tomado por Clarissa Pinkola Estés. Sem mais delongas, eis o segundo insight que precisa ser compartilhado:

2. ANALISANDO SONHOS

Minha mãe me diz que eu tenho um pezinho em algum outro mundo além desse plano físico. E ela também tem, por mais que evite admitir. Eu recentemente li um artigo em um site de Astrologia explicando a personalidade de um Aquariano, e cada vírgula era um espelho da minha essência. O artigo dizia que signos de Ar (Gêmeos, Libra e Aquário) têm um pezinho, ou a cabeça inteira, em todas as questões aéreas, mas os Aquarianos, por serem o último signo de Ar do zodíaco, levam essas questões a um outro nível.

Isso explica o meu segundo apelido na minha família: Amanda, a E.T.

E não poderia discordar, afinal de contas, eu sempre fui fascinada por tudo o que é etéreo, místico, transcendental, sombrio. Amo lembrar dos meus sonhos. Analisá-los. Tirar alguma explicação desse teatro noturno. O livro Mulheres Que Correm Com Os Lobos aborda a interpretação de sonhos como um portal fundamental para compreendermos nossos arredores e nossos interiores.

Sonhos, assim como cartas de Tarot, vêm disfarçados de muita simbologia, e a interpretação desses símbolos varia conforme a cultura na qual estamos inseridos, bem como nossas experiências pessoais. Podemos tomar como exemplo a imagem de um gato preto - o que ela simboliza? Má sorte? Um alerta? Comunicação com o místico? A resposta varia, e, portanto, é importante deixar os manuais de interpretação de sonhos de lado, e mergulhar no seu próprio mar de perspectivas. É claro, existe um simbologia coletiva da qual compartilhamos, mas não podemos refutar o que nossa própria intuição pensa sobre tal objeto.

Eu notei que quanto mais presto atenção nos meus sonhos, mais intensos e dramáticos eles se apresentam. Talvez você diga "Ah, mas eu nunca lembro dos meus sonhos"Calma lá! Isso não quer dizer que você não seja capaz de subir as escadas até o sótão do seu inconsciente. Você pode começar fazendo algo muito, muito simples: todas as noites, antes de deitar sua cabeça no travesseiro, tenha uma conversa com sua intuição. Diga para seu eu interior que você quer lembrar dos seus sonhos. E diga que você não tem pressa. Que eles podem se apresentar e ficar na memória até a manhã seguinte, no exato momento em que você estiver pronta para tal.

Parece muito simplista, mas é simples assim.

Leve o tempo que for, você vai começar lembrar de uns flashes, de uns momentos meio embaçados, evoluindo para curtos momentos mais definidos, até o momento que você poderia escrever um filme inteiro só com o sonho de uma única noite.

Eu vou contar um sonho que tive logo que comecei a ler o livro. Ele foi curtinho, mas intenso. Uma continuação para outros sonhos que vieram.

A MULHER DA PINTURA

Eu estava em uma galeria de arte, um ambiente amplo e claro, com pinturas penduradas nas paredes. Havia duas pessoas comigo, talvez dois homens. Eu estava segurando e analisando algumas fotos, ou alguns papéis, como se eu trabalhasse naquela galeria. Logo à minha frente, no centro da sala, havia um cavalete que sustentava uma pintura, a qual chamou minha atenção. Eu entreguei os papéis nas mãos das outras duas pessoas, que partiram para a sala ao lado, deixando-me sozinha, frente à frente com aquela pintura. Ela retratava uma paisagem natural, e, bem no centro da tela, havia uma mulher, talvez de vestido branco. Por algum motivo, eu sabia que se eu encarasse a mulher da pintura, eu sentiria um pavor terrível, um medo angustiante que me faria gritar até rasgar a garganta. Tentei focar apenas na paisagem ao redor, mas tarde demais: meus olhos já haviam percorrido o retrato da mulher. O pavor tomou conta de mim. E eu acordei. Terrivelmente apavorada.
°°°
Eu sei, esse sonho não foi tão agradável. Nada agradável. Ele ficou na minha cabeça, e algumas hipóteses começaram a pipocar desde então. Alguns dias após, eu dei início ao capítulo 3, Investigando os fatos: a recuperação da intuição como iniciação, e esse foi um daqueles momentos em que eu fiquei (haaa...) pasma e boquiaberta, e disse agora-tudo-faz-sentido!

A autora e psicanalista contou que muitas mulheres sonham com retratos de mulheres horrendas, e que sonhos desse tipo são uma iniciação para um eu mais selvagem, um eu que não é bonito, nem gracioso, nem comportado, como muitas de nós fomos ensinadas.

E o que me deixou maravilhada foi a sincronia: o sonho seguido de uma leitura explicativa. Como se o capítulo 3 estivesse aguardando o momento apropriado para minha leitura. Como se meu sonho estivesse prevendo minha leitura. Eu não acredito em coincidências. Não, não. Acredito que há um tempo exato para tudo. Acredito em uma ponte de comunicação para além desse plano. E que as mensagens atravessam quando estivermos prontos para recebê-las.

Comentários

  1. Queria dizer que tenho sonhos assim tão vívidos. Mas não os tenho.
    Em suma maioria não lembro do que sonhei e nem sei como interpretar o que sonho. Nunca fui muito ligada a astrologia. Mas fiquei interessada no livro.
    Já vi falarem muito da obra e ainda não dei uma chance.

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