A mulher sabe. A mulher simplesmente sabe.


Aquela certeza. Uma certeza que bate e quer ficar junto de nós, no calor entre os seios. Se não a reconhecermos, ela escorrega e toca o chão. Se a contrariarmos, ela bate e volta para longe como um bolinha de ping-pong contra uma muralha severamente racional.

No início desse ano, em Janeiro, conheci um homem que, por conta de sua profissão, carrega muitas daquelas histórias que parecem cenas de um filme. E lá estávamos nós, em uma mesa de bar entre amigos e taças de vinho. Conversamos sobre diversos assuntos, mas em momento algum tocamos no assunto família e relacionamentos amorosos, eu não teria como saber sobre o que se passa debaixo de seu teto, na intimidade do seu lar. A única coisa que foi rapidamente mencionada é que ele tinha uma esposa e três filhos.

No final daquela noite, algo me chamou a atenção: ele queria voltar para casa em uma longa caminhada de 1h. Veja bem, era Janeiro, o ápice do inverno sueco. Não seria uma caminhada agradável, mas uma que faria o queixo tremelicar e os dentes ranger. Foi ali que minha certeza tocou entre meus seios. Eu apenas sabia que havia algo de errado com o relacionamento deles, algo que o fazia evitar voltar para o conforto do seu lar.

Logo que eu e meu namorado chegamos em casa, eu comentei com ele sobre essa percepção que cruzou meu peito, mas ele discordou, dizendo que essa caminhada de 1h inverno adentro pudesse ter outro motivo. Meu pomo de certeza quase escorregou peito abaixo. E meu pomo quase rebateu para longe quando minha muralha racional questionou "Como você pode ter tanta certeza? Pare de julgar. Pare de criar especulações. Quem é você para saber de algo que não lhe foi dito?"

Ah, mas a mulher sabe. A mulher simplesmente sabe. Esse pomo de certeza não escuta com ouvidos, nem enxerga com os olhos. Esse pomo apenas sente. Esse pomo apenas sabe. E abundantes são as mulheres que seguram o pomo entre o calor dos seios, acolhendo o pomo sem duvidar de sua proveniência.

Inverno acordou primavera. Primavera convidou verão. E lá estávamos nós mais uma vez, em uma mesa de bar entre amigos e drinks rosados e refrescantes. Como sempre, eu carrego meu tarot na bolsa, pois nunca se sabe quando um outro alguém vai precisar, e, dessa vez, ele precisou.

Você tiraria as cartas para mim? - a curiosidade em cada centímetro do rosto - Eu nunca fiz isso, mas sempre quis ver como funciona.

Seis cartas foram o suficiente. Eu não falei pontualmente sobre seu relacionamento, por mais que The Lovers e VIII de Copas estivessem escancaradas bem na nossa frente. The Lovers pode até parecer que está estritamente conectada com relacionamentos amorosos, mas, para mim, a essência dessa carta é A Escolha. Uma escolha grandiosa, de peso, com o potencial de mudar drasticamente tudo o que está por vir, assim como Adão e Eva tiveram que escolher entre colher ou não colher o fruto probido. No momento da leitura, o VIII de Copas me passou a ideia de uma escolha que depende somente dele. Pessoa alguma poderia tomar essa decisão por ele, e ele teria de adentrar uma jornada de reflexão solitária para alcançar sua resposta.

Seu queixo caiu até onde a mandíbula permitia. Foi então que ele abriu o jogo, dizendo que tinha se separado da esposa recentemente, mas que ainda não era oficial. Sua esposa estava disposta a dar mais uma chance para o relacionamento, mas ele ainda não havia dado seu veredito. Ele disse "sou eu que vou decidir se vamos ficar juntos ou não..."

Estou compartilhando essa história porque quero deixar claro que todas nós (não quero excluir os homens desse talento, mas focar em nós, mulheres) possuímos uma conexão com o coletivo, mas precisamos manter esse pomo entre o calor do nossos seios, acolher essas certezas de peito aberto, sem duvidar, nem negligenciar.

Comentários

  1. Eu queria aprender como ouvir mais minha intuição. Amei o post!

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    1. Olá, Jeni! Não sou expert em intuição, também estou aprendendo a ouvir a minha, mas acho que cada mulher possui o seu próprio jeitinho de escutar a intuição, sabe? Uma coisa é certa: é preciso ter momentos de solitude. Acho que criação artística também é um portal.

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  2. é incrível isso né? eu também tenho alguns "insights" assim... eu não sei explicar, mas deve ser isso, a mulher simplesmente sabe

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  3. olha, a gente tem mesmo, e é incrível! penso que só precisamos de fato, abraçar a intuição mais vezes. eu msm, já me neguei muito.

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    1. É muito poderoso, de fato! E quanto mais a gente se conecta com a intuição, mas ela se comunica com a gente, como quando damos comida para um cachorrinho, e ele sempre volta.

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