Vivendo e celebrando de forma balanceada

Acabamos de passar aquela época do ano em que as pessoas se permitem extrapolar na comida e na bebida, deixando as mãos caírem para frente do pulso em um hoje pode.

Hoje pode, sim. Amanhã também. E todos os dias pode, mas será que esse comportamento convém?

Na semana do Natal, eu costumo assistir ao fime The Grinch, uma tradição que tenho comigo mesma desde pequena. Eu sempre fico enjoada com a cena em que há um concurso de comidas natalinas. Os concorrentes ficam socando pudim e tortas para dentro da boca do Grinch, sem tempo para respirar e desgustar toda aquela informação de sabor.

É um pouco exagerado e operístico, mas não é lá tão diferente da vida real. E isso se repete no Ano Novo com o ilustre discurso de ano que vem eu entro na linha.

Mas será que entra mesmo?

Eu acredito que entrar na linha carrega uma conotação militar, que marcha em impecáveis fileiras em corpo rígido e desconfortável. Se entramos na linha, também podemos sair da linha. E o que acontece quando não marchamos em consonância com nossa fileira militar?

Punição.

Nos tornamos nosso próprio Capitão, que grita na nossa cara - Você saiu da linha, soldado! Você reconhece as impiedosas consequências desse erro, soldado? - e com o peso de um canhão nos ombros, nós respondemos alto e claro - Senhor, sim senhor!

É isso o que acontece quando entramos na linha.

Em vez disso, eu prefiro escutar meu corpo. E escutando meu corpo, eu passei Natal e Ano Novo de forma balanceada. Coloquei em prática o conceito de Lagom, palavra Sueca que significa "just the right amount" ou "a quantia precisa, suficiente".

Na véspera do Natal, comi um pouquinho de tudo, até o ponto de sentir meu estômago quentinho e confortável. Tomei 01 taça de vinho tinto, pois, ouvindo e conhecendo meu corpo, eu sei que 02 taças podem me causar uma dor de cabeça desnecessária na manhã seguinte.

Na véspera do Ano Novo, convidamos amigos para jantar aqui em casa, e adentrando a madrugada de 2022 de maneira leve e equilibrada, eu ainda tive energia para lavar toda a louça, passar pano no móveis, organizar a casa, tirar a maquiagem do rosto, passar fio-dental e escovar os dentes antes de ir dormir.

Vem sentar à mesa conosco, Amanda! - nossos amigos me diziam enquanto eu lavava parte da louça. Talvez eles vejam essa tarefa como algo tedioso e fatigante a ser feito. Eu, por outro lado, vejo essa tarefa como um bom investimento do meu tempo, pois gosto de ter as coisas no seu devido lugar, com aquele *pliiim* de limpeza.

Na manhã seguinte, eu acordei plena, agradecendo a Amanda do dia anterior por ter celebrado a véspera com moderação. Na cozinha, as taças de vinho estavam sequinhas, de cabeça para baixo sobre um pano ao lado da pia. Dou um suspiro gracioso e começo a preparar o café.

Isso é bem melhor do que entrar na linha.
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