Frutos que passam de cesto em cesto

Felicidade é melhor quando compartilhada. O mesmo vale para aqueles frutos carnosos de conhecimento e experiência que colhemos de galhos inesperados, guardando-os em um cesto de vime impecável. Saltitamos por entre árvores com aquele cesto enganchado ao braço, atravessamos faixas de segurança, quase perdemos o foco com tanta informação que parece atacar os olhos. O material se esfarela ao nosso redor. Tudo parece ter um prazo de validade, mas os frutos dentro do cesto... eles estão cada vez mais apetitosos e tentadores.

Esses frutos são melhores quando compartilhados.

No início desse ano, eu estava conversando sobre escrita com uma amiga, cujo cesto de vime quase transborda de conhecimento. Compartilhei minhas inseguranças, desejos e a paixão que cultivo. Anna me escutou até o final, mas não apenas com seus ouvidos. Seus olhos estavam dentro dos meus, como se seu único dever fosse estar ali, acolhendo meus pensamentos. Ela coloca seu cesto sobre o colo, escolhe o fruto apropriado e me entrega.

Ela me recomendou um livro. Esse mesmo livro lhe fora recomendado anos atrás por uma amiga, que possivelmente deve ter recebido de uma outra amiga. É por isso que aprendizados emocionais, espirituais e intelectuais nunca expiram. Eles permanecem impecáveis, viajando através de histórias, livros, cestas de vime e conversas de um Domingo qualquer.

No final de semana passado tive o prazer de conhecer uma adorável mulher sueca. Estávamos em um pub amplo e espaçoso, mas aconchegante e preenchido. As luzes quentes e brandas contrastavam com cantos escuros. Tinha algo de aveludado naquele ambiente. Estávamos sentadas à cauda de um piano, que fazia o espírito de um pianista dançar do outro lado.

Iniciamos a noite com aquele tipo de conversa que normalmente se tem quando conhecemos alguém pela primeira vez. Porém, como sempre, eu quero saber mais sobre aquele universo logo ao meu lado. O que a move? O que a faz florescer? O que a faz tremer?

Então descubro que aquele mulherão, com uma cultura totalmente diferente da minha, nascida no hemisfério oposto, sente-se frágil da mesma forma que eu. Niki revela auto-julgamentos ácidos e me entrega amostras de sua escrita em descontentamento. E eu me enxerguei naquele mesmo processo.

E esse foi o meu momento de puxar o cesto para cima daquele piano-mesa. Seleciono dois livros e os entrego com carinho. As respostas que ela procura estão ali. O fruto que eu guardava com esmero dentro do meu cesto, agora é dela.

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2 comentários:

  1. Ah, que coisa linda Amanda. Que eu tenha a humildade e a sabedoria de receber e de dividir os meus frutos com o próximo também.

    Não Me Mande Flores

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    1. Sei lá, às vewes a gente acha que não é nada demais, sabe? Recomendar um livro, um filme, dar uma dica... mas aquilo pode mudar o futuro de alguém.

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