e eu me culpo por não ter "nada"

Minha faculdade começa mês que vem, e meu trabalho, em Setembro. Até lá, tenho ainda muitos dias e muitas horas e muitos instantes sem aquela obrigação de estar fazendo alguma coisa... quer dizer... aquela sensação de obrigação ainda persiste, mesmo sem ter muito o que fazer além de ler, assitir série e passear de máscara.

Em vez de estar pensando em curtir esses dias e honrar esse tempo livre, eu estou me punindo emocionalmente por não estar produzindo. Eu fico aqui pensando que deveria estar em busca de mais alunos particulares de Inglês e estudando mais algum ponto gramatical. Minha mente fica esquecendo que mês que vem terei bastante assunto para estudar, e que em Setembro terei alunos from Monday to Friday, então por que eu fico me pressionando tanto?


Eu estava aqui tirando umas fotos e elaborando umas edições bacanas quando, inesperadamente, minha mente foi levada a algum ambiente abstrato que se abre toda vez que mexo com coisinhas artísticas. Eu não sei muito bem como explicar, mas enquanto estou nessa oficina criativa enevoada, encontro respostas para dúvidas e aflições. Sim, agora eu entendo o porquê dessa pressão toda.

Eu não tenho nada. Eu não tenho "nada". Tenho 28 anos e minha vida financeira não é algo da qual eu deveria me orgulhar. Eu não tenho um apartamento. Eu nem comecei a pensar em dar entrada em um. Eu não tenho um carro, nem sequer uma bicicleta. Minha vida inteira cabe em duas malas, sendo uma delas bem pequeninha. Talvez eu não queira um apartamento agora, e muito menos um carro. Uma vida financeira de se orgulhar? Essa eu realmente gostaria de ter, mas, fora isso, eu não acho que eu queira essas coisas que eu supostamente deveria querer e ter - entende? Por mais que eu não queira essas coisas agora, eu ainda sinto a obrigação de querê-las.

Material, né? Tenho nada. Se eu olho para trás, para esses últimos três anos, eu vejo viagens, idiomas, experiências, sonhos realizados, desenvolvimento pessoal e peneiras - muitas peneiras. Imaterial, né? Tenho muito. E é somente isso o que tenho. Então me culpo. Então me pressiono. Então, por agonizantes instantes, nada do que eu faça parece ser o suficiente, por mais extraordinário e excitante que tudo isso seja.

5 comentários:

  1. oi, oi.

    esse texto me definiu de um tanto. eu to caminhando pros 27 anos e há mentalmente muitas cobranças. coisas que eu não deveria estar me pressionando pra concretizar. sei lá, a sociedade (e a gnt mesmo) vive naquele eterno dilema de tudo pra ontem, que acaba gerando sentimento de "to ficando pra trás". e o que tem de errado "ficar pra trás"??? isso não vai fazer ngm ser pior ou melhor. somente uma pessoa q segue o fluxo.

    então, miga... segue o fluxo e vai ser feliz! tmj na caminhada. <3

    naomevenhacomdesculpa.com

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    1. É realmente uma longa caminhada entender que não deveríamos nos comparar aos outros, mas com nosso próprio passado :)

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Como diria uma pequena raposa, o essencial é invisível aos olhos. Acredito que se todos nós parássemos para pensar naquilo que nos nutre, concluiríamos que as coisas intangíveis e excepcionalmente a arte é o que mais nos faltaria no dia a dia, óbvio, desconsiderando as necessidades básicas de um ser humano. A leitura, um filme, uma musica, uma pintura... ou seja, a cultura que nos envolve através do zeitgeist ou de grupos simpatizantes dos mesmos. O mundo nos faz acreditar necessitar de coisas que não precisamos, como também a pensar de uma maneira que não faz parte da nossa essência.
    PS: Das coisas materiais, gosto da sua bruxinha e seu deck tarot. :)

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    1. Exato, Jonathas! É incrível como a arte foi, e ainda é, vista como um extra, como algo a mais, e não como essencial. E sim, eu amo meu deck de tarot! Ainda aprendendo sobre toda a iconografia que ele carrega!

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