como quero envelhecer?

Se colocarmos nossos medos e desejos em uma linha do tempo, veremos que somos, de fato, um processo em transformação, e que nossa idade e imaturidade jogam uma papel importantíssimo na forma como percebemos o mundo. Voltando aos meus 05 anos de idade, eu não sabia que algum dia viria a envelhecer (ter cabelinho branco, rugas e dor no ciático). Na adolescência, tinha tanta coisa fútil ocupando minha cabeça que eu não tinha muito tempo livre para pensar na minha própria velhice.

Com 22 anos, eu comecei a desenvolver um medo absurdo de envelhecer, pois eu apenas conhecia o lado pacato da terceira idade, já que essa foi a referência que tive com meus avós. Eles eram bem ativos, mas não tão ativos quanto a nova geração de avós que vemos atualmente.

Quanto mais conheço o mundo, pessoas, estilos de vida e histórias afora, maior é a chance de encontrar alguém a quem eu me assemelhe. Maior é a chance de encontrar minha própria versão futura, com maior bagagem e tempo de caminhada. Uma versão com a qual eu me identifique. Uma versão que me traria prazer em envelhecer.

Em um dos vários aeroportos que estive nesse último mês, encontrei duas possíveis versões. Encontrei, na verdade, duas peças para o quebra-cabeça da minha possível velhice. Duas mulheres de cabelos brancos e passaporte nas mãos. Uma delas vestia um blazer com estampa de leopardo; a outra, botas de salto quadrado. Nós estávamos partilhando o mesmo espaço para um rápido café e croissant antes de embarcarmos. Entre goles e mordidas, eu me perugnto Para onde elas vão? De onde elas já vieram? Para onde eu ainda posso ir?

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