registros em algum lugar sobre as nuvens

Acabamos de decolar. Com meu Chromebook no colo, convido minha escritora interior para assumir meu assento 11D, que se encontra no corredor da cabine - dessa vez não consegui um assento na janela. Se escrever é o que eu estava precisando, nada melhor do que um combo de 2h30min de voo acima das nuvens, zero internet e uns calafrios toda vez que o avião trepida inesperadamente.

À minha direita, no assento 11E, um senhor de idade dorme com a cabeça pendurada para baixo, o que está me preocupando um pouco, pois ele não parece estar respirando. Felizmente, sua perna direita tem uns leves espasmos de vez em quando, então eu me sinto mais aliviada. Plim! O sinal de colocar o cinto de segurança é desativado, e à minha esquerda, do outro lado do corredor, um homem no 11A, assento da janela, levanta desesperadamente, quase rasteja por cima da mulher do 11B e vai em direção ao banheiro com a pressa de uma bexiga em explosão.

O comissário de bordo vem se aproximando com seu carrinho carregado de croissants, e aí que eu me dou conta de que estou na França - talvez não mais. Não sei sob qual país estou voando neste exato momento, apenas sei que estou indo em direção a Estocolmo. O senhor sentado à minha direta acordou a tempo do lanche, e nós pedimos a mesma combinação: um café preto e um croissant. Meu lanche já estava posicionado na mesinha, anexada ao banco da frente, mas esperei o senhorzinho receber seu lanche antes de começar a comer, mas ele deu uma primeira mordida sem nem me notar. Nada de errado com isso, mas depois de quase três anos morando na França, eu peguei o hábito de dizer bon appétit! a qualquer pessoa que esteja comendo ao meu redor. Esse é um hábito super comum na França, e já aconteceu incontáveis vezes de eu estar comendo um lanchinho na rua e escutar algum desconhecido dizer bon appétit! com um sorriso carismático - os franceses não são tão esnobes como pensamos. Enquanto o senhorzinho se aproxima da metade do croissant, eu olho para ele e digo bon appétit! com o sorrisinho francês que aprendi por aqui - onde quer que eu esteja agora.

Eu passarei quase 6 dias em Estocolmo, e estou super animada por essa trip. Minha energia se eleva e vibra em uma frequência de amor toda vez que coloco meus pés dentro de um aeroporto. É meio clichezão dizer que amo viajar e explorar novos lugares, afinal quem não ama fazer a mala e escapar da rotina? Contudo, eu me questiono se vou perseverar feliz com raízes em um só lugar. Eu me questiono se construir um lar estável e uma família é tão importante quanto descobrir o mundo sozinha. Eu mudo bastante de opinião, sabe? Tem dias que quero um lar, um marido, um cachorro e muitas plantas. Tem dias que eu considero ter filhos, e me imagino sendo uma mãe compreensível e criativa. Tem dias que eu aceito que jamais terei essa oportunidade, pois não consigo viver com o peso dos planos a longo-prazo e expectativas das pessoas que contam comigo para traçar tais planos. Tem dias que eu levanto da cama querendo uma coisa, e, ao deitar, já quero outra completamente diferente.

Eu venho desenvolvendo uma relação amigável e benéfica com minha intuição, escutando o que essa voz quer me dizer, considerar os caminhos pelos quais ela quer me guiar. Estou tentando racionalizar um pouco menos e me permitir sentir o momento no qual me encontro, e se eu sinto algo pulsando dentro de mim agora, é essa força incontrolável que me leva a explorar. Onde estarei daqui 01 ano? Onde vou ancorar meu barco? Só sei que essas não são perguntas para agora.

6 comentários:

  1. eu amei esse post, parece que eu estou ai do seu lado viajando

    espero que essa viagem seja ótima e que você aproveite tudo que tiver que aproveitar

    beijos
    Carol Justo | Justo Eu?!

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    1. oii, carol! nossa, eu amo quando tu vem e deixa esses comentários que me motivam! obrigada pelas boas energias! um beijão, linda!

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  2. Adorei que você conseguiu expressar o que muitas pessoas da nossa geração sentem. Esse flutuar indeciso ou as certezas líquidas. Faz alguns anos que me debato com isso e acabo não criando raízes em nenhum lugar ou em nenhum coração. Mas até quando, né? Acabamos indo conforme a nossa intuição mesmo.

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    1. oii, Ellen! ai que legal ver teu comentário por aqui <3 e sim! eu carrego essa indecisão há muito tempo já. para mim, a pressão não é de ter que escolher 1 lugar/pessoa/emprego/lifestyle/qualquer-outra-coisa, mas de ter que fazer essa escolha para sempre.

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  3. Amanda do céu, #tamojunta ahhahaha Eu não sei nem o que eu vou comer amanhã, quanto mais onde estarei daqui a 5 anos. São tantas opções neh? Pq temos que ficar só com uma?

    www.umnovodestino.com.br

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    1. nossa... nem me fale! mas acho que o canal é seguir a energia do momento e estar atenta aos sinais... sabe?

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