o mito do bloqueio criativo + formas de alimentar sua inspiração

Criatividade é vista por muitos como uma habilidade preciosa e sagrada, um dom, algo carregado pelo ser humano desde o nascimento, seja por vontade divina ou herança genética. Você é criativo, ou não. E nada entre os dois extremos.


Eu discordo. Aliás, os últimos anos que se passaram me fizeram acreditar fielmente que não existe isso de dom e talento. Desde que me mudei para a França, minha capacidade criativa e minha inspiração ficou forte e persistente como erva-daninha, e de vez em quando preciso aparar as pontinhas dessa minha plantinha, senão é folha, galho e flor para tudo que é lado - sim, criatividade demais pode ser um tanto prejudicial.

É óbvio que minha erva criativa fixou raízes e floresceu. É fácil encontrar inspiração em um novo país, onde tudo é novo novamente. Os cenários, a arquitetura, jeitos de viver e de enxergar a vida. A inspiração cresce alegre e cantante na soleira da janela daqueles que consumem o novo. E é aí que mora o segredo: o novo. Ponto.

Eu não acredito em bloqueio criativo. Eu acredito, de fato, em pessoas que possuem potencial criativo (qualquer pessoa tem um potencial criativo) e que não estão nutrindo sua plantinha corretamente. Cada planta demanda um cuidado diferente. Algumas precisam de mais sombra, outras de mais luz. Algumas precisam de uns nutrientes aqui e acolá para desabrocharem em pétalas tenras e lustrosas. Algumas, como a minha, apenas precisam de água e de constante poda. Sua planta criadora não é a mesma que a do seu vizinho. Não compare cactos e rosas. Os cuidados serão diferentes, mas, no final das contas, todos temos o direito e o potencial de embelezar a vegetação desse planeta.

De tempos em tempos esquecemos de dar a devida atenção às necessidades desse ser criativo que se desenvolve nos jardins do nosso corpo. Paramos de consumir conteúdo novo e estimulante, de assistir a documentários e filmes, de ler livros que abrem o apetite - e não apenas os livros que precisamos ler. Deixamos de lado aquela volta no parque, o teatro e o museu. Evitamos passar tempo sozinho. Não damos valor ao belo que se encontra ao nosso redor e paramos de organizar o lar, de comprar flores, de regá-las. Bem-vindo ao famigerado bloqueio criativo.

Recentemente, eu levei minha artista aos jardins de Versailles. Comemos pizza à beira do laguinho e observamos os barquinhos, os patos e os peixes - eu jurei que eles fossem pular para fora da água e devorar minha pizza.

Dê recompensas ao seu artista. Compre uma revista atrativa, prepare uma bandeja com café passado no filtro e shortbread. Leve seu artista para passear, e leve esse passeio a sério. Agrade seu artista. Trate-o como sua prioridade, e ele te retribuirá da mesma forma. Nós recebemos aquilo que damos. Colhemos o que plantamos. Eu duvido que você ainda terá esse tal de bloqueio criativo depois de alimentar seu artista com o que mais lhe desperta desejo.
:)
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2 comentários:

  1. Tenho pensando muito sobre criatividade, Amanda... e sua reflexão bateu muito com o que venho pensado. Comecei um livro chamado "o caminho do artista" e esse post me lembrou um pouquinho dele (inclusive, preciso continuar a leitura).

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    1. Bom dia, Liz! Então, tu já me comentou sobre esse livro, e eu, inclusive, o coloquei em minha lista de leitura. Ele também é da Julia Cameron (no momento estou lendo um outro livro dela - The Right To Write). Um beijo!

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