encontrar meu lar e o que importa para mim

Sabe aquelas memórias que são tão gostosas e aconchegantes quanto um casaquinho felpudinho? Então, essa é uma delas... Uma vez, quando eu era criança, fui à casa de uma amiga da minha irmã. Aquela casa tinha uma energia boa e que ressoava naturalmente comigo. Era como um witch cottage daqueles que a gente fica admirando no Pinterest, sabe?

Não apenas a energia era acolhedora, mas também a decoração e uma coleção de bruxinhas em miniatura que ficou para sempre na minha memória. Eu acredito que a decoração joga um papel importante dentro do nosso lar; ela muda a forma como nos sentimos e nos transporta para uma extensão de nós mesmos que se encontra ao nosso redor. E é por isso que tudo o que se encontra a minha volta, dentro do meu lar, reflete quem sou, como estou me sentindo e o que é importante para mim.

Eu, uma criança pequeninha, brilhei meus olhos para aquelas bruxinhas. Elas eram várias com suas meias listradas, chapéus, vassourinhas, caldeirões, bolas de cristal. Eu fiquei tão encantada com aquilo que me faz pensar, hoje, na decoração que tínhamos na casa dos meus pais. Como já comentei aqui no blog, minha família é bem católica, então bruxinhas e tarots são o tipo de coisa que eu jamais vi na casa deles. Cresci em uma casa com a cruz de Jesus, terços e um grande quadro de Nossa Senhora de Schoenstatt, a quem minha mãe é devota.


Desde criança, toda vez que minha mãe colocava uma estátua de Maria no meu quarto, eu a escondia dentro da gaveta, ou a colocava em outro quarto. Por mais que a imagem de Maria fosse doce e delicada, eu tinha medo. Eu tinha medo daquele quadro e das cruzes, e ainda tenho medo, não vou negar. E fico aqui me perguntando por que tenho medo de algo com o qual cresci? Eu sempre via aquelas imagens, todos os dias, mas por que aquilo não me era natural? E por que um único contato com bruxinhas, cristais e incensos me transportaram para um local de segurança e acolhimento? O Catolicismo é algo importante para minha mãe, e como mãe, acho super sensato ela ter tentado passar essa crença e essa devoção para mim. Desculpa, mãe, mas vou ter que te decepcionar nessa. 

Contudo, no witch cottage, a história era outra. Eu amei estar ali. Eu me senti bem em estar ali, e lembro dessa sensação pulsante até hoje. Aquilo me trouxe bem-estar, e nem consigo muito bem explicar. Tive a sensação de conforto, de decoração de lar, e esse momento ficou guardado nessa nuvem de memórias distantes a qual passei muito tempo sem acessar.

Não me lembro se antes ou depois desse evento, fui a uma feira do livro com minha mãe, e em uma das banquinhas infantis, encontrei uma agendinha Wicca, com bruxinhas e poções. Eu, encantada com aquela aesthetic, pedi para minha mãe comprá-la para mim. Eu andava pra cima e pra baixo com aquela agenda, folhando as páginas amareladas com feitiços que demandavam partes do corpo de ratos, aranhas e cobras hahaha. Aquilo era tão natural para mim. Eu amaria voltar no tempo e pegar aquela agenda nas mãos e sentir aquela sensação, a mesma de quando estive na casa da amiga da minha irmã.

Fui, recentemente, a uma loja de ocultismo aqui em Paris, Les Mists-Terre d'Avalon, comprar uns incensos e velas e eis que acho essa bruxinha, que na verdade fazia parte de um trio. Talvez, quando alguém vir aqui em casa e se deparar com essa bruxinha, vão pensar que é só uma decoração qualquer. Eles não saberiam o quão especial essa bruxinha é, o que ela realmente representa, a história que há por trás, uma história sobre encontrar seu próprio lar, sobre aconchego e sobre saber o que realmente importa para si. 

2 comentários:

  1. Que delícia de ler esse post. Tem sensações da infância que realmente dão vontade de sentir novamente. Que bom que você resgatou essa memória linda, esse sentimento gostoso pra sua própria casa.

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    1. Oii! Sim, foi muito bom acessar essa memória! Obrigada por passar por aqui!

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