em vez de controlar sua escrita, entregue-se a ela

Já é meio óbvio que eu amo, e sempre amei, escrever. Postei recentemente aqui no blog um texto sobre esse processo de me sentir escritora e simplesmente aceitar o que sou e o que me move. E tendo esse pequeno despertar nas manhãs do meu coração, comecei a ler The Right To Write (o direito de escrever), por Julia Cameron, um livro que todo amante da escrita deveria ler.

Ainda estou passando pelos primeiros capítulos, mas já foram o suficiente para eu ter uns insights bacanas como, por exemplo, o fato de que tranformamos a escrita em um big deal. Enxergamos a escrita como algo distante e superior. Pisamos em ovos na estrada das letras. Queremos a perfeição e nada menos. E caso não seja perfeito, então optamos por nem começar.

Até mesmo o ambiente, o mood, a escrivaninha e a posição na qual nos sentamos deve ser perfeita e ideal. Sem café, chá quentinho, whisky ou cigarros não há escritor e, consequentemente, não há escrita. Escrever assim cansa, ein? Escrever assim é também uma perda de tempo, pois a inspiração não espera esse mood ideal. Ela vem sem nem bater na porta. Chega entrando com tudo em uma voadora, e pessoa alguma nesse mundo está preparada para lidar com uma voadora de criação, então é mais fácil aceitar essa chegada inesperada, largar tudo do jeitinho que está e registrar o que está sendo dito ao pé do ouvido.

Essa perfeição que eu espero antes, durante e após a escrita (mas principalmente durante) não agrega em nada, pelo contrário, apenas machuca. Em vez de procurar o melhor adjetivo e a metáfora mais genial, estou apenas deixando minha escrita ser. Em The Right To Write, Julia Cameron menciona que não devemos almejar ter o controle sob as palavras, mas nos entregarmos a elas. Deixe a escrita te levar, seja em ondas gentis, ou em uma tempestade em alto-mar. Deixa a onda me levar - onda leeeeva eeeeu!

Vamos combinar que complexidade não é tudo. Como diz Mallu Magalhães, Sambinha bom é esse que tem pouca nota, e eu assino embaixo. E isso não significa que obras complexas não são boas, mas se eu tivesse que escolher entre Bohemian Rhapsody e um Samba da Benção improvisado no violão, eu não saberia dizer qual dentre eles é o melhor, pois simplesmente não há isso de "melhor". Eles são diferentes. Ambos me cativam. Ambos têm o seu valor.

E essas comparações não param por aí. Poderia eu escolher entre café expresso italiano e café passado no filtro na minha minúscula cozinha? Entre restaurante fino e arroz com feijão preparado pela mãe? Entre pizza napolitana e pizza gelada no dia seguinte pro café da manhã? Versos nascidos com técnica e métrica não são necessariamente melhores do que mensagens de carinho em um cartão postal. Ambos te prendem e te puxam para rodas de dança que, por algum motivo, conquistaram seu coração.
:)
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8 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Oi, Amanda!
    Como sou uma [aspirante à] escritora também, amei o texto!
    E ainda citou Mallu Magalhães, que eu gosto e ouço. Amei mesmo!
    Beijo! 💋
    ~Cartas da Gleize. 💌

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    1. Oii, Rose Gleize! Tudo bem? Eu adoro quando tu tira um tempinho para comentar aqui no blog <3 tuas mensagens são sempre de carinho, obrigada! Eu acho que a linha entre ser aspirante e ser escritor é muito tênue, não concordas? Esse processo de se reconhecer escritora demanda muita confiança, pois não vem com um diploma hahaha

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    2. Oi, Amanda! Pode me chamar só de Rose ou só de Gleize. :)
      Eu tento transmitir carinho nos meus textos, principalmente nos comentários de postagens a outras pessoas. Mas nos meus textos de desabafos eu nem sempre sou assim.
      Eu concordo com o que você disse acima no seu comentário! A linha entre o aspirante e o ser escritor é muito tênue mesmo. :)
      Quando eu comecei a escrever, eu me intitulava aspirante à escritora. Depois passei a me intitular somente escritora. Já cheguei até mesmo a me intitular romancista, porque escrevo romances, embora eu não tenha nada publicado ainda, não seja autora publicada. Mas voltei a me intitular 'aspirante à escritora' depois que uma outra escritora encrencou comigo por causa disso. Dizia pelas minhas costas, mas nos textos que ela publicava na internet, que eu tinha um ego muito alto, que eu me achava demais, que eu não devia me intitular algo que eu ainda não havia me tornado. Sendo que eu ainda não tinha nada publicado, mas escrevia, e para mim um escritor o é assim que começa a escrever com o propósito de ser escritor e de tornar público aquilo que escreve. Mas tudo isso porque eu nunca mostrei nenhum texto meu, nada, nada do que eu pretendo lançar em livros, nem um poema, a ela para ler. Ela queria ver o que eu escrevia, eu acho e pelo visto, e como eu nunca mostrei nada, porque não sentia aquela confiança, sabe? Era só uma pessoa de internet que eu havia conhecido há pouquíssimo tempo por meio da escrita, porque éramos as duas aspirantes à escritora, embora ela já tivesse textos publicados em plataformas virtuais de escrita. E fiz bem em não mostrar nada, porque do pouco que ela soube do enredo de uma história que eu pretendo publicar em livro, pois eu contei por alto algumas coisas da sinopse, saiu depreciando nas redes sociais dela para me atacar quando eu decidi pôr um ponto final na "amizade". Então, com raiva, saiu dizendo isso e defendendo essa ideia, de que se eu não sou publicada, autora com livros publicados, não posso me intitular escritora. Acho que ela pensa que é ela quem diz se uma pessoa é ou não escritora...
      Mas, pensando haver uma ponta de verdade nas coisas que a escritora dizia sobre mim, eu resolvi voltar a dizer que eu sou apenas uma aspirante até que o meu trabalho literário comece a ser publicado. Talvez eu não estivesse sendo humilde mesmo.
      Desculpe o desabafo, mas é que você tocou nessa questão do aspirante e do escritor e eu me lembrei dessa minha experiência.
      Amei o seu texto desde o título! Bom dia! :)

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    3. Pronto, vou te chamar te Rose, então - adoro esse nome. Nossa, eu fiquei chocada com o seu desabafo... e decepcionada... É incrível e triste a energia que o ser humano pode depositar em ódio... É uma lástima que tua "amiga" tenha feito isso contigo, e uma pena que tu tenha "comprado" essa ideia. Anyway, sendo verdade ou não o que ela comentou em suas redes sociais, o que passou, passou, e o que importa agora é como TU te enxergas HOJE (e não ela).
      Publicar um livro não te torna escritor, mas AUTOR - tenha isso em mente.
      Eu acredito que todos nós podemos ser escritores, assim como somos falantes, ouvintes e leitores. É um direito e um poder. Não deixe ninguém te fazer duvidar do teu poder criativo. Eu acho que o que tu precisas é, talvez, de amizades que te coloquem para cima e te influenciem para o bem.

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    4. É isso! Obrigada, Amanda! Agora sou eu quem agradeço o carinho, as suas palavras de conforto. Eu preciso mesmo de boas amizades. Todos nós precisamos, essa que é a verdade. Um beijo!

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  3. Exatamente! Quando mais nova, passei por isso no blog. Até o dia que precisei começar a escrever para pagar as contas e tudo mudou. No passado já deixei de postar textos no blog por causa desse bloqueio. Hoje vejo como bobagem e isso não me impede de escrever livremente sobre os temas que gosto. Esse post é muito necessário!

    Super beijo e bom resto de semana.

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    1. Oi, Gabius! Exato! Eu vejo esse insight como uma forma de liberdade. Eu suêr recomendo esse livro, tu vais amar! Um beijo!

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