vamos falar sobre body neutrality?


Body image, body-based oppression, body dysmorphia, toxic positivity, body positivity, body neutrality, wooooow pode parecer um pouco confuso e um pouco demais, mas não. Eu acho ma-ra-vi-lho-so dar nome a cada um desses conceitos. Ainda bem que esse trabalho está sendo feito e que nossa geração está falando sobre essa opressão corporal que não é de agora.

Nota: Eu acabo usando os termos em Inglês, pois consumo bastante conteúdo nesse idioma, mas se vocês não compreenderem um ou outro, Google tá aí minha gente haha - eu não quis ser grossa.

Sofremos em busca de um corpo "ideal", não é? Algumas pessoas já conseguiram superar essa obsessão, mas outras ainda estão na luta para fazer as pazes com a pessoa do outro lado do espelho. Acredito que também haja níveis de amor-próprio e auto-aversão, e, infelizmente, peso, altura, cabelo, cor da pele, a forma do corpo, deficiência ainda são parâmetros que interferem na forma como nos percebemos.

Quem me olha de longe provavelmente não sabe o quanto eu sofro e me reprimo por causa do meu corpo. Sim, sou magra, branca e não possuo deficiência física, mas isso não quer dizer que eu me sinta parte do padrão de beleza. Isso não quer dizer que eu esteja satisfeita com meu corpo. Sabe aquela mulher maravilhosa que você vê passando pela rua? E você pensa Ela deve estar tão satisfeita com seu corpo... mas é aquilo que eu acabei de dizer: fazer parte desse padrão absurdo não garante satisfação alguma.

Eu fui gordinha durante minha adolescência, e fui muito rejeitada por guris que eu gostava por causa dos meus quilos "extras". Passei o Ensino Médio e além me comparando a outras gurias magras, e por mais que eu tenha perdido peso, eu ainda carrego essa cicratiz. É como se essa obsessão estivesse entrelaçada a meu código genético. É como se eu nunca tivesse emagrecido de fato. Eu sempre penso que poderia emagrecer um pouco mais, ter pernas e braços mais finos, menos bochechas e por aí vai.

Desde a adolescência, e ao longo da minha vida, eu desperdicei muito (muito!) tempo, energia e dinheiro em busca de um corpo cada vez mais magro, em dietas loucas e perigosas, em academias (tipo de exercício que não ressoa comigo), etc. Eu passei horas e dias e semanas e meses e anos procurando falhas na frente do espelho, imaginado como seria se meu corpo tivesse menos curvas e menos celulite. Eu passei esse tempo todo detestando meu corpo, e deixando essa imagem que eu tinha de mim mesma determinar e delimitar quem sou e o que posso fazer.

É por isso que quero falar sobre body neutrality (neutralidade norporal). Pelo o que venho lendo, eu vejo esse conceito como um mindset que foca no que seu corpo está fazendo/pode fazer, e não em como ele aparenta exteriormente. Acredito que body neutrality seja uma ferramenta de empoderamento e libertação, vencendo essa opressão, obsessão e auto-aversão na qual crescemos e nos desenvolvemos.

É mais fácil falar do que realmente sentir esse conceito, né? Porém, como quase tudo na vida, body neutrality é mais um processo. Ahh, os processos... Eu não quero me preocupar em como meu corpo está sendo visto pelos outros. Na boa, eu não quero perder meu tempo, energia e foco me olhando no espelho. Eu quero é evitar espelhos, e não é porque eu não goste do meu corpo. É simplesmente porque eu não quero mais perder meu tempo com isso!

Eu quero é focar no que tem aqui dentro. Quero cultivar meu intelecto, aprender, evoluir a cada dia, construir minha carreira e praticar hobbies que me façam feliz, como escrever, blogar, ler, viajar. Quero praticar esportes/danças pela atividade em si e pela minha saúde. Não quero vestir roupas apertadas, pois isso só faz ressaltar tudo aquilo que quero evitar: meu corpo em evidência. Quero usar roupas largas, soltas, frescas e confortáveis. Quero me sentir bem durante minha journée. Não quero ter que pensar no meu corpo. Quero apenas ser uma alma e um cérebro, carregados por uma carruagem. Uma carruagem. É isso.

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