não apresse o slow living


Mês passado, em uma visita que fiz ao instagram Kaffeina, eu me deparei com o termo slow blogging na bio dela. Eu, a louca dos blogs, vi aquelas palavras e abracei um combo de curiosidade e empolgação. Quequié esse tal de slow blogging que eu nem sei, mas que já conquistou minha atenção? Dei uma pesquisadinha e descobri que slow blogging é uma ramificação do slow living, que define um modo de viver desacelerado, consciente, significante e (porque não?) devagar.

Desde que comecei a ler sobre slow living, percebi que esse estilo de vida pode acontecer de formas distintas. Para alguns, slow living é cozinhar suas próprias refeições com calma e intenção (well... slow cooking, right?), utilizando alimentos comprados em feiras orgânicas e temperinhos que crescem em vasinhos na soleira da janela. Para outros, slow living é receber amigos em casa e pedir pizza no delivery

Tudo depende das suas prioridades e do momento pelo qual você está passando. O importante é fazer escolhas conscientes e se entregar ao momento de corpo e alma. Cozinhar nessa ambiance idílica pode até ser apaixonante, mas talvez você não queira se incomodar com as compras, a preparação e a limpeza. Talvez você não queira se entregar à cozinha, mas a seus amigos na sala de estar, às risadas e à gordura daquela pizza.

Compreender suas prioridades, fazer escolhas significativas e começar a viver de forma desacelerada não acontece da noite pro dia, mas eu acho que um bom primeiro passo começa com a pergunta Por que estou fazendo isso? Por quê?

- Por que estou quase correndo pelas ruas? Eu preciso andar rápido assim?
- Por que estou comendo isso?
- Por que estou tão cansada?
- Por que estou indo dormir tão tarde?
- Por que meu celular está sempre tão perto de mim? Por que ele está nas minhas mãos, no meu bolso, em cima da mesa? Por que eu fico checando o celular de tempos em tempos? O que estou esperando?

Acho que uma outra ótima pergunta a se fazer é O que me traz felicidade? A resposta tem que ser algo bem definido, do tipo:

- passar tempo sozinha
- dormir 8h por dia
- ler livros em paperback
- ler sobre espiritualidade e arte
- aprender Francês e Italiano
- guardar dinheiro todos os meses
- fones de ouvido sem fio
- podcasts
- jantar com amigos
- dar aulas de Inglês online
- produtos cruelty-free
- manhãs
- café da manhã
- brunch
- ter a casa organizada
- saber o que eu tenho dentro de cada gaveta
- chegar a tempo no trabalho sem me apressar
- cheiro de amaciante nas minhas roupas
- escrever
- uma tigela enorme de abacate amassado com uma colherada de mel
- visitar um lugar novo no finde

A parte tricky desse questionamento é saber o que realmente pertence a minha alma, pois, muitas vezes, achei que queria, priorizava, gostava de algo, mas, na verdade, era uma vontade que vinha de fora, que aprendi com pessoas a minha volta. Quer um exemplo bem simples e fácil de entender? Passei boa parte da minha jovem-adultez querendo comprar um carro. Essa ideia estava muito enraizada dentro de mim, até eu me dar conta de que não preciso e não quero comprar um carro. E nessa onda de me questionar, eu já tomei muito caldo... Descobri que eu vinha vivendo de uma forma que não ressoa mais comigo, priorizando coisas que nunca foram genuinamente importantes.

Antes de se jogar na hashtag #slowliving e se afogar com o aesthetic bucólico, minimalista e orgânico, tenha em mente quem você é, quem você quer se tornar e o que você quer - o que você realmente quer.

Comentários

  1. Acho que slow living pra mim seria o contrário do slow living para muitas pessoas...
    Eu não sou, nem de longe, uma pessoa calma, muito pelo contrário, e eu gosto demais da rotina agitada, gosto de acordar cedo, sair trabalhar, tomar muito café, se não faço isso eu não me sinto bem, eu sempre busco maneiras de ocupar 100% do meu tempo.
    Mas, apesar de tudo, eu quero ter um local tranquilo pra voltar. Me imagino trabalhando na capital e morando no interior, tendo um sítio com uma piscina e cheio de árvores frutíferas, além da minha horta pessoal, com uma casa grande, mas simples, com pouca coisa, mas muito espaço e com uma visão linda para o verde...
    Doido não?!

    Amei o post e a reflexão que acabei fazendo por causa dele

    beijosss
    Carol Justo | Justo Eu?!

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    1. Eu super entendo, Carol! Cada um tem um ritmo e suas vontades! Há um tempo atrás eu estava nessas de viver uma vida agitada e eu estava super feliz, mas acredito que, ao longo da vida, nós vamos mudando nossas preferências, e isso faz partre da vida!

      Obrigada por passar por aqui no blog e deixar teu cometário lindo <3

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  2. Sou super adepta do slow living que prefiro chamar de evitar a fadiga em referência ao Jaiminho do Chaves. Meu ritmo natural é lento, preciso dormir 8 horas no mínimo para funcionar bem. E às vezes ainda tiro umas sonecas durante o dia. O esquema é descobrir o que realmente faz sentido pra você. E quando vc descobre, vc passa a priorizar essas coisas que te fazem bem e consegue descartar sem culpa o que não faz sentido. Nem sempre é fácil fazer isso, mas é gratificante quando conseguimos. Amei seu post. <3

    Ale Araujo (www.umnovodestino.com.br)

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    1. Exato, Alessandra! É justamente isso! Priorizar essas coisas que te fazem bem. Eu acho que também pode ser um pouco difícil saber o que realmente te faz bem, né?

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