essas sincronicidades bobas, mas nem tão bobas

Panteão de Roma

Desço do ônibus e vou caminhando sem pressa em direção ao metrô. O dia está perfeitamente ensolarado, e eu não poderia pedir por mais luz. Os botões de flores estão aparecendo, assim como o verde jovem das folhas que inauguram a Primavera. Algumas árvores já estão até enfeitadas com pétalas fortes e robustas. Essas ruas no aqui e agora estão calmas, e talvez elas nem estejam tão calmas assim, mas tem uma brisa fresca e tranquila soprando de dentro de mim, e calma é tudo o que eu posso sentir.

Acendo um cigarro enquanto escuto Bem Que Se Quis e me pergunto O que a gente não faz por amor? Esse amor vem de fora ou de dentro? Que seja de dentro, sempre daqui de dentro, aonde quer que eu vá, sozinha ou acompanhada, que o amor sempre venha de dentro.

Eu paro em frente a essa loja chamada Made in Italy e me lembro que tenho umas raízes em outras terras. Lembro de uns planos traçados antes de viver minha primeira pandemia, planos esses que ficaram guardados em algum bolso que já não reconhecia meu toque. Acontece que hoje, nesse instante tão frágil, coloquei minha mão no bolso e me lembrei. Senti aquela surpresa de encontrar um tesouro no bolso do casaco.

Passo por um Cinquecento. Penso nessas sincronicidade bobas, mas nem tão bobas e sorrio. Um pedacinho de algodão-doce lá no céu ergue meu queixo e me concede um pedido. Que eu encontre meu caminho. Um caminho de bondade e carinho, calma e sinceridade. O caminho que brote o que há de mais lindo em mim.

Dou uma última tragada e apago o cigarro no cesto do lixo. Enquanto desço as escadas que levam ao andar subterrâneo do metrô, posso escutar aquele sotaque italiano que só dá vontade de imitar. O sotaque sobe as mesmas escadas que eu desço. Eu imito o sotaque quietinha por de baixo da minha máscara.

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