joyeux anniversaire! eu sou um red velvet!


Estou completando 28 anos hoje, mas comecei a comer esse bolo ontem, óbvio, já que todo dia é dia de bolo e coffee break. Eu amo tanto fazer esses snacks ao longo do dia que eu já considerei a possibilidade de ser um snack em pessoa, e caso eu seja um, você pode ter certeza de que eu sou uma fatia bem servida de bolo caseiro recém saído do forno. Sou aquele cheirinho de bolo do qual você nunca se cansa. Sou a vontade que saliva por um pedaço, mas tento me conter, tento deixar esfriar para não queimar minha língua, e é difícil, sabe?

Eu vim direto do forno, do útero da minha mãe. Saí às pressas, pois sou a delícia de um bolo e faço parte da festa! Eu quero é festa e quero agora! Eu sou prematura, e para garantir que eu chegaria logo nessa festa, dei um jeito de me enrolar no cordão umbilical no forno sagrado que me cozia, como quem diz É agora ou nunca! Me tire daqui e me coloque naquela mesa enfeitada! Me decore, me deixe bonita e apetitosa, mas não me cubra por completo. Deixe minha essência aparecer! Deixe que vejam o que estão pondo em suas bocas! Deixe que reconheçam meu verdadeiro sabor, pois sou mais do que apenas enfeites; sou, antes de tudo, massa de bolo puro; massa de puro fervor.

Eu sou um Red Velvet. Red velvet soa tão sensual que deve ter sido criado na cozinha de um cabaret. Red velvet deveria ser considerado um pornô gastronômico; deveria estar exposto nas prateleiras dos fundos da locadora, naquela sessão atrás das cortinas que eu nunca pude acessar quando era criança. Red Velvet não é considerado um filme sexual pois vem disfarçado entre camadas de um creme branco, leve, inocente, e você até diria que é um tanto quanto ingênuo, pois esse creme é o epítome da bondade genuína.

Em uma mordida, creme doce e delicado, em outra, uma massa vermelha e apaixonada que deseja e que quer ser desejada. Red velvet é um filme vampiresco com drinks sanguinários diluídos em prazer e culpa.


Entre camadas de doçura e almejo, eu vim para esse mundo no dia 29 de Janeiro de 1993. Aprendi que todo o 29 de Janeiro deve ser celebrado com brigadeiro enrolado com manteirga na mão (se parar bem para pensar, é um pouco nojento), bolo e velinhas, as quais meu irmão fazia questão de assoprar antes de mim, fazendo despertar um monstrinho enfurecido dentro do meu peito.

Agora, 2021, fico pensando em como eu deveria comemorar meu aniver, dia ideal para fazer uma retrospectiva desde meu último aniversário e me tratar com carinho. Só que daí eu me dei conta de que todos os dias deveriam ser assim - não é? OK, talvez nem todos os dias, mas com certeza mais do que apenas 1x por ano. Eu quero sentir esse direito de ser feliz todos os dias da minha vida! Eu quero receber abraços de aniversário o tempo todo! Eu quero que as pessoas joguem amor e felicidades e saúde na minha cara com vontade! Eu quero comprar bolos e flores todas as semanas, e quero comer esse bolo em casa, olhando para as florezinhas que se refrescam na garrafa de vinho.

E sabe por que quero parcelar esse poder ilimitado de aniversário em 365 dias? Dois motivos: (1) eu mereço e (2) é muita pressão ter que viver toda essa felicidade e perfeição em apenas um dia. É muita expectativa para apenas um dia.

Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Oi, Amanda!
    Sempre que encontro ou conheço alguém de 1993 eu fico feliz, pois, afinal de contas, eu cheguei ao mundo em 1993 também! Em 15 de março de 1993, mais precisamente! Depois de você. Hehe.
    Ontem foi o seu aniversário! Parabéns (atrasado)! Feliz aniversário!
    Espero que você tenha tido um dia muito feliz e memorável! 🎂🍹🎁🎈
    Um beijo! 💋
    ~Cartas da Gleize. 💌💕

    ResponderExcluir

Postar um comentário