prioridades, maternidade e o armário de Nárnia


Quero começar esse post dizendo que estou hesitando em escrever para o blog já faz alguns dias, sabe porquê? Eu passo frequentemente por fases em que questiono minhas prioridades; duvido de minhas próprias prioridades. Deveria eu estar focando em construir um futuro entre solo e teto estável daquele jeitinho que meus pais disseram que eu deveria ter feito há mais de 10 anos atrás? (Nota 1: eles já não dizem mais, pois aceitaram que eu não vim para esse mundo para fazer mais do mesmo, e acho isso bem maduro e compreensível da parte deles.)

Um de meus pés e parte do meu cérebro estão nessa fase, e por conta disso vou deixando o blog um pouco de lado, porque né, trabalhar, pagar as contas e estudar para os exames finais me parece mais prioridade do que escrever e explorar esse meu lado artístico barroco em um drama teatral. (Nota 2: eu estudo História da Arte, isso significa que referências artísticas vão começar a aparecer por aqui, então já vá se acostumando.)


Acontece que escrever, criar e e ver meu blog recheado dessas partes de mim é tão prioridade quanto colocar comida na mesa. A beterraba cozida que estou comendo neste exato momento alimenta meu corpo físico, me nutre e me dá forças para ir em busca de outro alimento: um que satisfaça a alma. E o que minha alma deseja? Qual é o lanchinho gostoso que minha alma procura depois da meia-noite? Uma sopinha de comunicação, compartilhamento, identificação e criação. Ahhh que fome que essa alma tem!

Quando me dou conta de que minha alma está com fome, volto a priorizar essa necessidade, e eis que volto aqui para o blog; eis que voltamos aqui para o blog, eu e minha alma, nós duas de mãos dadas. E hoje estamos aqui deixando essa escrita correr livre, porque, na verdade, nosso intuito era de falar sobre uns conflitos relacionados à maternidade.

Não, eu não tenho filhos, mas tenho 27 anos e esse questionamento que chegou com tudo, sem nem avisar, quando eu menos esperava, sentada à mesa de um restaurante árabe, rodeada de almofadas coloridas, no terceiro date com um cara do Tinder. Antes disso, eu nunca tinha achado que gastaria tanta memória RAM fazendo listas mentais com prós e contras de se ter filhos; imaginando meu futuro como mãe ou não-mãe (tenho a impressão de que essas são as únicas duas opções disponíveis); tentando me convencer de que quero ser mãe, só porque isso dói menos do que aceitar a verdade: eu não quero isso para mim.


Sério, eu ando pensando tanto sobre isso que nem minhas amigas me aguentam mais. Já faz 01 mês que mando áudios para elas explicando algum novo insight, elaborando alguma nova conclusão quanto a essa coisa louca e romantizada que chamam de maternidade. Contudo, eu sei que todos esses áudios enviados nunca foram para elas. Eu nunca precisei justificar coisa alguma para minhas amigas. Esses áudios sempre foram para mim mesma. Eu estou ininterruptamente em busca de respostas, tentando provar para mim mesma que tenho controle sobre minha vida e que sei o que estou fazendo - pffff.

Eu certamente escreverei mais sobre esse conflito pelo qual estou passando. Escreverei para as mulheres que se encontram nesse mesmo barco, mas que não se sentem representadas, já que existe muito conteúdo sobre a maternidade em si na internet, em livrarias e na indústria cinematográfica, mas pouquíssimas mulheres falando francamente sobre aquela janela pequenina que existe logo antes da tomada de decisão. Perdão, vou me corrigir: em vez de janela, vou me referir a esse período usando a palavra armário. Não um armário qualquer, mas aquele armário de Nárnia. Um armário que poucas mulheres ousam entrar; um armário que era só mais um armário qualquer para a maioria das mulheres. (Nota 3: essa ideia vai virar um post.)

Escreverei sobre esse conflito, principalmente, para mim mesma, como uma forma de acolher essa dúvida e validá-la, em vez de simplesmente anestesiá-la. Fico chocada com o fato de que tentei priorizar o ser mãe, enquanto deixo de lado minha escrita e esse blog. Para quem estou escrevendo? Para quem quero ter um filho?

Comentários

  1. o bom do blog é essa coisa de vir escrever despretensiosamente, sem obrigação mesmo. vir quando sente saudade de externar um pouco da alma ou só reorganizar ideias para si. a gente faz isso conversando com amigos, refletindo a sós em casa e até mesmo compartilhando pensamentos no blog né? acho que por isso nunca vejo esse espaço de tempo como abandono de blog nem nada, as vezes é só um jeitinho diferente de reorganizar um pouco de nós mesmas :)

    aproveito pra dizer que ler esses teus textos parece que me faz automaticamente querer reorganizar minhas próprias ideias e quando vejo tô aqui cometendo textões na tua caixa de comentários (sorry & thanks). gosto muito daqui! ♥

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