minha contradição: me jogo no mundo? crio raízes?


Quem acompanha o blog sabe que eu adoro uma mudança. Sempre carreguei esse sonho de pipocar de cidade em cidade. 06 meses aqui, 01 ano lá, fazer as malas e botar o pé na estrada em direção ao novo. Contudo, antes de comprar uma passagem só de ida para a França, eu tinha uma visão muito idealizada de que essas mudanças seriam fáceis e que qualquer lugar onde eu pudesse largar as malas temporariamente seria um novo lar.

Eu não tinha noção do que era perrengue. Eu não sabia que a grana poderia acabar entre leves descuidos. Eu acreditava que encontraria um emprego em um estalar de dedos, e jamais havia considerado um cenário pandêmico como o que estamos vivendo atualmente. E tudo bem, sabe? A vida vai me desiludindo ao longo do caminho, e eu sigo aprendendo as regras do jogo.

Eu sonhava em largar tudo e morar no exterior desde minha adolescência, e justamente por querer fugir de onde me encontrava e conhecer novas terras eu ainda não tinha experienciado o sentimento de pertencimento, de querer fixar os pés no chão e dizer aqui quero ficar. Eu não conhecia um amor romântico que me fizesse querer desacelerar e construir algo; eu não sabia que eu era digna de tal amor - dad and brother issues.

Tampouco sabia que eu gostaria de ter uma rotina! Eu aprendi que rotina é gostoso demais! Eu não me imaginava comprando artigos decorativos para a casa até o dia que comecei a fazer uma coleção de canecas. Eu parei de doar meus livros e hoje os guardo em uma estante. Estou querendo comprar um aspirador de pó... Esses pequenos detalhes indicam que eu estou sentindo um certo pertencimento ao lugar onde me encontro, e isso me deixa um pouco apavorada.

Quando começo a sentir que pertenço, meu primeiro reflexo é de traçar planos de fuga. Por quê? Eu ainda não sei. Talvez porque eu não estou familiarizada com esse sentimento, então fujo em busca de algo que conheço bem: o novo! Ou talvez porque tenho medo de me acomodar e de seguir um protocolo que desdenhei por boa parte da minha vida. Talvez porque eu esteja me apaixonando por alguém que gosta de mim, e ainda não estou familiarizada com essa gostosa sensação de ser amada e cuidada por um parceiro.

Por isso eu fujo. Em busca de um outro emprego, em uma outra cidade, em um outro país, falando e aprendendo um outro idioma, me desprendendo fisicamente de tudo o que conheço e de todas as pessoas que amo (amor é uma palavra que estou recentemente aprendendo a usar). Devo fugir? Devo ficar? Até quando mergulharei nessa onda do desconhecido? Não sei. Eu simplesmente não sei.

Comentários

  1. Me fizeste lembrar "Follow the Wind"
    Canção de Barry Gibb e Bee Gees.
    E porque nao? Te vejo como uma pessoa corajosa. E porque não juntar esse feito a lista "Fui corajosa e olha no que deu...". Mais vale viver assim do que viver num "E se..". Deixa a vida te mostrar o caminha. As vezes complicamos algo que é bastante simples. Para no fim rirmos da nossa cara. E se daqui a um mês estiveres a mudar para a Polónia porque nada deu certo? Bom, ao menos levas na mochila um aprendizado muiiiito grande! Respira que vai tudo correr bem! Vai por mim que já vivi em 5 países e não sei se será o último. Mas que de momento apenas estou aproveitar tudo! Como diria Pity "Eta, alma, buraco sem fundo/Que se vive tentando preencher" Beijo!

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  2. eu amo todas as reflexões que você faz, são sempre muito inteligentes
    realmente, eu sinto quase o mesmo, só que ao contrário. eu sempre quis uma estabilidade, criar raizes, ter uma rotina e etc, mas ao mesmo tempo eu sinto o desejo de viver a vida, simplesmente. pegar uma mochila e viajar pro desconhecido, conseguir aqueles empregos em troca de moradia, fazer um intercambio, mas hoje em dia eu tenho medo pois ja tenho as minhas raizes, doido não?!

    queria poder ajudar de alguma forma, mas tb estou nessa busca

    beijosss
    Carol Justo | Justo Eu?!

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