infância: como aprendi Inglês + amor por idiomas + empoderamento


Pensando sobre minha trajetória de aprendizado de idiomas, eu sempre identifico 03 Amandas diferentes na minha timeline: (1) uma Amandinha criança empoderada e apaixonada, (2) uma Amanda no final de sua adolescência que não acreditava em si e (3) a Amanda que agora escreve essas palavras, que compreende a adolescente, mas que resgata o poder da infância. Quero falar sobre todas elas (sobre todas nós), mas no post de hoje vou contar sobre a Amandinha que almejava ser troglodita poliglota, como aprendi Inglês e, principalmente, como cultivei o amor por línguas desde pequenina.

Com apenas 10 aninhos, eu espalhava pelos ares que queria ser poliglota (eu sempre confundia com a palavra "troglodita" haha). Com 09 anos de idade, eu pedi a minha mãe que me inscrevesse no cursinho de Inglês Yazigi da minha cidade, Viamão-RS, e sou extremamente grata por meus pais terem tido condições financeiras de me proporcionar esse estudo, pois, de certa forma, isso mudou minha vida - eu fico toda arrepiada quando falo sobre isso.

E de onde surgiu esse interesse em aprender Inglês? Bem, meus irmãos mais velhos sempre ouviram muita música internacional e assistiam a programas e séries americanas como Two And A Half Men, Friends, That '70s Show e Saturday Night Live. Cresci em uma casa onde o Inglês entrava de penetra nos meus ouvidos todos os dias. No início dos anos 2000, quando ter um walkman era um sinal de moderninade e liberdade, eu andava pela casa escutando The Beatles, Vengaboys e Backstreet Boys, lendo os folhetinhos com as letras das canções, cantando muito mal e dançando quando ninguém estava me vendo.

Essa Amandinha desenvolveu uma habilidade auditiva fantástica, e isso refletiu na minha facilidade em pronunciar palavras corretamente e de rapidamente me adaptar a sotaques diferentes. E é por isso que eu sempre digo que não precisamos de ferramentas e materiais mega elaborados, pelo contrário, a simplicidade de escutar canções que amamos e que se misturam com nossa memória emocional torna o aprendizado mais agradável e durável!

Mesmo falando Inglês, eu não tinha essa consciência de que, de fato, eu sabia falar Inglês, da mesma forma que eu nunca fiquei surpresa por saber falar Português, até que em alguma noite aleatória da minha pré-adolescência eu sonhei que estava conversando em Inglês com alguém, e aquela conversa fazia muito sentido no meu sonho. Quando acordei, eu me dei conta de que era bilingue, e fiquei cho-ca-da! Na boa, eu fiquei literalmente boquiaberta. E aquilo ficou na minha cabeça ao longo do dia, do tipo ohhh my goooood, eu sei falar Inglês! Foi então que resolvi testar essa habilidade com minha irmã na vida real. Eu lembro como se fosse ontem, chegando perto da minha irmã e dizendo "Pati, deixa eu testar uma coisa... Conversa em Inglês comigo?". Eis que aquele sonho se torna realidade.

Passei longos anos estudando no Yazigi, mas para ser bem sincera, eu nunca de fato estudei Inglês, mas brinquei Inglês, pois é assim que crianças aprendem! Então eu nunca tive essa "dor" que muitos adultos sentem na hora de sentar a bunda na cadeira e decorar regrinhas e vocabulário. Eu brincava, desenhava, escutava e cantava. Durante minha adolescência, eu já era capaz de ter conversas em Inglês com estrangeiros, mesmo que entre erros gramaticais e falta de vocabulário, mas eu dava um jeito, sabe?

Fui uma criança que se desenvolveu em uma geração na qual os pais não se importavam com "o tédio". Meus pais não me enchiam de atividades extracurriculares, e não se importavam com o fato de eu estar sendo "improdutiva". Eu fui uma criança com bastante tempo livre, e isso me permitiu lidar com minha solidão, ser inventiva e ler coisas que eu gostava. E o que eu gostava de ler? Além da revista Witch e dos gibis da Turma da Mônica, eu me divertia decorando tabelinhas de verbos irregulares - vai entender. Eu não fui uma criança mega intelectual, mas uma criança com uma paixão enlouquecedora por Inglês, que se transformou em um fascínio por idiomas em geral no decorrer da minha vida.

Costumo dizer que idiomas são superpoderes porque, na boa, compreender e se comunicar em outras línguas é muuuuuito empoderador! Eu me sentia super contente toda vez que entendia love, love me do, you know I love you, I'll always be true, so pleeeeeeeeeeeeeeease... love me doooo... Eu lia e relia o livro The Phantom Of The Opera, pois aquilo me trazia poder e segurança! Eu era capaz de ler um livro do início ao fim em um idioma considerado língua franca. Eu era apenas uma pré-adolescente, mas eu me sentia uma Wonder Woman (com menos curvas e com saias que cobriam minha bunda).

Foi assim que aprendi comecei a aprender Inglês, pois o aprendizado de línguas não tem um fim. Há sempre uma nova expressão, uma nova palavra, um aperfeiçoamento gramatical e um trabalho de fluência e confiança. Muitas pessoas perdem essa paixão ou mesmo a esperança de aprender um idioma. Algumas pessoas infelizmente não acreditam na sua capacidade... Quer um conselho meu? Anota aí: você é capaz sim! Você é capaz de aprender Inglês e qualquer outro idioma que der na telha.

Pare de reproduzir aquele velho e cansativo discurso: Inglês é difícil. Jamais vou aprender. Sou muito velho para isso. Não tenho tempo. Sou burro. Não sou bom com línguas. Sou de exatas. *meus olhos revirando* É bem provável que você esteja repetindo esse discurso porque pessoas a sua volta fazem o mesmo, ou porque em algum momento da sua vida você cristalizou essa crença absurda - joga fora no lixo, joga fora no liiiiiixo!

Uma vez, em algum metrô em Londres, eu li um poema que passava mais ou menos a seguinte mensagem: quando ninguém mais acreditar em você, e quando você mesmo não mais acreditar, guarde aquele sonho no bolso como o tesouro mais precioso que você carrega. E à noite, quando ninguém estiver a sua volta, coloque-o na sua escrivaninha e o veja brilhar :)

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