o milagre que as motos fazem

entre passos estranhos
e peles brilhantes
cranberry que refresca doce
dilui
vira água
apenas água
nos 38°C
em algum bar em London Bridge
nessa ordinária mesa bamba
entre outras pernas mancas
que recebem pessoas que
parecem
felizes
e sempre pareceram
mais do que eu
entre o topo das cabeças
que desfilam pela minha janela
volto à camurça de suas calças
à vontade de tocá-la
ao beijo do terceiro encontro
que pede só mais um
ao abraço
que completou o tanque de carinho
foi quando me dei conta
do milagre que as motos fazem
rodando longas
enlamaçadas
estradas
sem saber que estavam secas
vazias
com sede

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