5 coisas que aprendi no último mês


A vida vai acontecendo e eu vou me dando conta de coisas pelas quais eu não esperava. Desde que comprei uma passagem só de ida para a França eu venho aprendendo coisas que eu jamais teria aprendido se eu tivesse continuado na minha bolha porto-alegrense. Tem coisas que somente aprendemos quando estamos longe, beeeeem longe da família, dos amigos e de tudo o que conhecemos.

Esses dias de Julho e Agosto foram muito importantes para meu desenvolvimento pessoal. Consegui fazer e dizer coisas que a Amanda do passado não conseguia; tive uns insights dolorosos e libertadores com minha psicóloga; resolvi de última hora me jogar num voluntariado pelo UK e descobri algumas coisas sobre mim mesma. E tudo isso aconteceu em um curto espaço de tempo e, como sempre, com os pés na estrada. Então eu vou compartilhar agorinha alguns desses descobrimentos pelos quais passei, e que talvez sirvam para você e o lugar onde você se encontra agora. Lembre-se: nunca estamos sozinhos!

viajar com uma malinha pequena
Minha mala não estava lotada quando me mudei para a França, mas ainda sim era uma mala bem grande. Sempre que fazia alguma viagem eu fazia questão de empacotar minha malona com várias opções de roupas, mesmo que eu estivesse viajando por apenas um weekend. Contudo, a passagem que comprei para Birmingham (onde estou realizando meu voluntariado) permitia apenas uma malinha pequena que coubesse nos compartimentos de bordo, e eu teria que passar 01 mês com essa malinha.

Tive que comprar, então, uma malinha pequena e dar um jeito de ser mais minimalista do que já sou, e isso me fez lembrar de um artigo que li no blog Be More With Less que dizia que devemos empacotar a mala para metade dos dias, logo, em vez de empacotar para 30 dias, empacotei para 15, e olha... Está dando muito certo! Se você almeja viajar de forma leve e prática, a melhor dica que posso dar é focar no que você realmente usou no último mês, ou seja, se você pega aquela saia/blusa e pensa hmmm, acho que vou usar... coloque-a de volta no armário imediatamente! É bem provável que você não a utilize. O pensamento tem que ser ah vou usar essa peça certo! No final das contas sempre vestimos as mesmas roupas por mais que nossa mala esteja recheada de outras opções.

passar muito tempo com pessoas consome minha criatividade
Ahhhhhhh, eu sou muito antissocial na maior parte do tempo. Pessoas me cansam. Adoro pessoas, mas em uma dose bem limitada. Eu até posso parecer bem extrovertida e passar a impressão de estar tendo such a good time com as pessoas a minha volta, mas se a dose for mais do que posso aguentar meu humor muda instantaneamente e fico chata - bem chata.

Eu realmente adoro estar em uma roda com amigos e conhecer pessoas novas, mas a questão é que eu tendo a ser muito extrovertida com pessoas ao meu redor, e é por isso que minha energia é rapidamente consumida. Eu poderia me comparar a um daqueles celulares bem vagabundinhos, cuja bateria precisa ser recarregada três vezes ao dia, e cuja memória RAM precisa ser esvaziada, senão eu começo a travar, esquentar e posso até explodir - você não vai querer me ver explodir.

E por ser super outgoing, no final do dia eu acabo não tendo muita energia física, mental e criativa para realizar as atividades que mais amo: escrever, blogar e planejar minhas aulas particulares de Inglês - sim, eu dou aulas de Inglês online!

dizer para os outros o que me incomoda
Já faz uns bons meses que eu "vou" na psicóloga (online), e em uma dessas sessões descobri que tenho a crença do desamor. Até onde conversamos e até onde pesquisei existem 03 crenças nucleares: desamor, desvalor e desamparo. Não vou ficar explicando sobre elas pois não acho que eu tenha o estudo para tanto, mas de forma suscinta, uma pessoa com crença do desamor tende a se moldar perante os outros e as ciscunstâncias para evitar conflitos; para evitar desagradar os outros; para evitar ser "desgostado".

Passei a vida inteira sem saber dizer não; sem falar para os outros o que me incomoda; sem impor limites. Eu carreguei durante muito tempo uma placa de com a Amanda tudo pode, ela sempre perdoa, ela é sorridente e queridinha, e enquanto as pessoas achavam que estava tudo ok, minha garganta fazia coleção de nós bem amarradinhos e apertados.

Pode parecer algo simples para você, mas eu tenho taquicardia toda vez que tenho que dizer para alguém algo simples como:
- Por favor, você poderia comer de boca fechada? Eu sou misofônica e estou sofrendo.
- Oi, você tem que me pagar aquela quantia que me deve.
- Desculpa, mas eu não quero te emprestar essa jaqueta.
- Não, eu não concordo contigo.

Ultimamente eu tenho conseguido dizer essas coisas e colocar limites sem muita hesistação, e isso é uma baita conquista para mim! Toda vez que consigo falar para os outros coisas que me incomodam eu sinto que minha confiança ganha pontos e que estou me tratando com carinho e respeito. É uma longa caminhada a pé para chegar aqui, e é por isso que esses pequenos momentos de assertividade são tão valiosos para mim - creio que para qualquer um.

compreender o passado não muda o passado, mas pode mudar seu futuro
Eu sei, essa ideia parece super cliché, pois todo mundo já sabe na teoria que o passado não pode ser mudado, mas eu vejo alta galera que ainda não colocou essa ideia em prática e fica remoendo o passado. Não estou dizendo que devemos esquecer os traumas passados e assuntos mal resolvidos que nos assombram, pelo contrário, temos que falar sobre eles para, então, encontrar as respostas que buscamos.

Sou muito grata por poder pagar pelas sessões com minha psicóloga e sei que nem todo mundo pode, mas se algum dia você puder, por favor, vai e faz! Existem algumas formas de conseguir desconto e até mesmo isenção de pagamento com certos psicólogos, ainda mais agora que estamos passando pelo apocalipse COVID-19, então se informe! Vale muito a pena!

Nesse último mês descobri muita coisa dolorosa, mas libertadora, com relação a minha família. Eu não vou ficar aqui falando sobre a relação que tenho com meus pais e meus irmãos pois não acho que meu blog seja um local apropriado para tal, mas uma coisa precisa ser dita: depois que compreendi algumas coisas, pude identificar a raiz de alguns padrões que repito, e agora que sei localizá-la sou capaz de iniciar esse processo de remoção. Sim, é um processo, pois essa raiz está bem arraigada e forte dentro do meu solo. Foi uma raiz de baobá que cresceu e que está querendo destruir o meu planeta - quem leu O Pequeno Príncipe sabe do que estou falando.

não crio altas expectativas na hora de viajar
Estou terminando de escrever essa postagem no ônibus de volta para Birmingham (estava passando alguns dias aqui em Londres), e depois desse weekend posso afirmar que eu não nasci para viajar com roteiros e expectativas. Minha amiga Anna Paula sempre diz que a frustração é filha da expectativa, então é melhor tomar cuidado. É claro que eu faço uma pesquisa prévia sobre o local para onde vou viajar, mas não conto com a ideia de dar um check em todo e qualquer landmark que gostaria de conhecer, sabe por quê? Porque tá na hora de pararmos de achar que podemos controlar tudo! Não podemos, e esse é mais um daqueles conceitos que sabemos na teoria, mas que não colocamos em prática.

Tem dias que o tempo não te permite fazer aquele picnic no parque como você havia planejado. Tem dias que você pode acordar meio gripado. Tem dias que você simplesmente não quer seguir o roteiro, então você joga ele na lata de lixo mais próxima e decide que vai caminhar pelo bairro e ler seu livro em algum café. E olha que bacana: você não precisa se sentir culpado por isso! Suas trips deveriam ser agradáveis e leves, em vez de um completo aborrecimento. Lembre-se de que viajar não é o mesmo que fazer check-in, tampouco colecionar landmarks; viajar deve ser o que você quiser!

Passei o Domingo visitando uns pontos turísticos em Londres, e isso foi muito bacana, mas admito que minha Segunda foi muito mais legal, pois decidi rasgar o roteiro, caminhar pela rua e descobrir a livraria Daunt Books - ahhhhh como valeu a pena! Não existe uma melhor forma de viajar, e sim a sua forma de viajar!
:)
E essas foram as 05 coisas que aprendi nesse último mês - acho que rendeu kkk. Um beijo britânico no coração de vocês!

Comentários

  1. Ficar longe das pessoas normais em nossa vida é bom porque faz o nosso campo de visão abrir mais, sair da nossa bolha sempre é bom mesmo sendo ou parecendo assustador.

    Atualmente eu estou com muita vontade de aprender inglês e sair do país, estou extremamente encantada com o Canadá que se tornou um lugar de sonho pra mim. Essa vontade está tão forte, que eu sinto uma sensação inexplicável. Uma mistura de angústia com encanto. Não sei explicar.

    Eu queria ser minimalista, eu tenho na minha mente um padrão minimalista já de roupa mas não consigo por em prática, o mesmo acontece com meu home office, não consigo desapegar das minhas coisinhas porque cada uma tem um significado mas eu queria ser mais simplona. Verdade, não é só na viagem né, no dia a dia conseguimos ver que temos um padrão de roupa, sempre tem aquelas peças usadas repentinamente rs.

    Eu já sou o oposto de você rs, eu sou extrovertida mas pessoalmente fico tímida, não consigo expor meu eu quando tem pessoas de fora perto.

    Tem momentos que é necessário usarmos o NÃO, não quero, não posso, não aceito, não concordo mas na real, é difícil.

    Ver seus relatos dá um quentinho no peito, porque faz eu perceber que as vezes devemos arriscar em coisas novas sem a pressão se vai dar certo ou não, só arriscar. Feliz por você está feliz, que você possa compartilhar mais e mais novidades com a gente.

    Kisu,
    Jaque de Lua 🎔

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  2. eu amei essa listinhaaaa
    eu tb estou em acompanhamento psicológico e tb tenho tido algumas reflexões dolorosas, mas ao mesmo tempo elas esclarecem muito sobre mim, me fez enxergar coisas que eu nem tinha enxergado, mas estavam me incomodando há anos... todo mundo deveria ter acesso a isso

    ahhh eu tb sou de porto alegre, amei essa sua atitude de ir morar em outro país, já pensei nisso, mas no fundo não sei se conseguiria ficar longe da família

    bjsss
    Carol Justo | Justo Eu

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