poeta não é falante

falante quer falar
falante não quer ouvir
falante quer ser ouvido
nesse trânsito caótico de luzes que ardem os olhos
buzinas que zumbem ouvidos
berros e gritos aflitos que inflam gargantas exaustas
rangem os dentes
tensionam mandíbulas
latejam cabeças doloridas
arqueiam ombros e enfraquecem as costas
e desbotam o espírito
e as cores da aura

longe desse congestionamento apressado
do topo de uma colina
uma colina qualquer
qualquer colina coberta de verde pelúcia macia
de ponteiros estáticos e mochila vazia
a poeta aprecia
aprecia silêncio temido
poder desaprendido
há muito esquecido

poeta não é falante
poeta é ouvinte
e do alto de qualquer colina
poeta ouve, sente, pensa, escreve
poeta sofre e declama
vergonhas em sussurros
pensamentos em palavras
amores em suspiros
tristezas em lágrimas

e tristezas em suspiros
e amores em lágrimas
que borram a tinta
aquarela agoniada

poeta é cantante
e não canta para falante
poeta canta melodias para quem merece ouvir
para quem quer ouvir
para quem necessita ouvir
para quem realmente necessita ouvir:
ela mesma.

Comentários

  1. Este poema transmite uma sensação de tranquilidade bela, o que considero muito agradável. Também acho que esta simplicidade excessiva deixa o testo essencialmente mediano, sem momentos dotados de alguma criatividade maior. No todo, este é um escrito bonito e simples.

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