moro sozinha

abro a torneira
deixo a água escorrer
morno vapor que sobe
o zíper do meu vestido que desliza macio curva abaixo
esqueci o sabonete de baunilha no quarto
da banheira até a cama
serenos passos firmes e ensopados
saio solta, leve, molhada e pelada
pureza é minha aliada
liberdade é minha morada

pequenos luxos
uma ampla janela
o sol que alimenta as suculentas
bouquet de lavanda a secar
quartzo rosa enfeita com amor o altar
o tapete de yoga
maciez das meias novas
uma caneca preciosa
que carrega o ritmo natural das pequenas coisas
café preto passado no filtro
aroma doce do bolo dourando
que me acolhe, me cobre e me embala como uma canção de ninar
nana, nana, nana, logo vai sarar

tem noites que a solidão demora
e minha lágrima
essa lágrima
apenas uma gota silenciosa da tempestade que quebra lá fora
não há ninguém quando fecho a porta
mas há sempre uma ampla janela
a lua que lê em silêncio
cartas que crio em aquarela
na mansidão dessa sala
na turbulência do meu pensamento

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