por que eu não seria au pair de novo

Quem acompanha o blog sabe que eu já fui au pair aqui na França, e toda vez que menciono essa experiência utilizo adjetivos como traumático, tenso e enriquecedor (como no post: minha experiência ensinando Inglês para crianças francesas). Já não é a primeira vez que recebo mensagens de amigos e leitores pedindo para eu falar sobre meus meses como au pair, e o porquê de ter sido insuportável.

Vários meses já se passaram desde meu último dia como au pair, e somente agora me sinto equilibrada o suficiente para falar sobre, e foi por isso que demorei tanto para escrever esse post. Não queria descrever minha experiência de forma injusta para com minha host family, mas também não poderia ser injusta comigo mesma - o que normalmente já faço.

Só quero deixar claro que minha host family não era ruim. Mesmo. Desde o primeiro dia, eles me acolheram com muito carinho. Eu senti isso em cada detalhe, mesmo antes de pegar o avião. Eles queriam muito me receber na vida deles, não apenas como au pair, mas como amiga. Minha host family era tão afetuosa que fazia questão de manter laços com suas au pairs. Então por que a experiência foi tão ruim? A resposta é: eu não tenho perfil de au pair. Ponto final.

E qual é o perfil ideal de um au pair? Até onde minha experiência me conduziu, creio que um au pair feliz é uma pessoa que goste muito de estar em família, além de fazer programas em grupo constantemente. Não é que eu não goste de pessoas. Eu gosto de pessoas, mas só de vez em quando.

Eu simplesmente adoro fazer tu-do sozinha. Amo almoçar sozinha; ir ao mercado e ao parque sozinha; fazer compras sozinha e, principalmente, viajar sozinha! Eu sou o tipo de pessoa que vai tomar um pint sozinha no pub. Essa eu sou, e eu neguei isso antes de me aventurar nesse mundo au pair.

No meu primeiro mês como au pair tudo era lindo, novo e emocionante! Eu estava muito contente de ter sido recebida por uma família tão alegre e amável. Acontece que com o passar das semanas aquela Amanda sorridente e disposta aos programas de família começou a enfraquecer e a perder as faíscas em seus olhos. Comecei a ficar chata mesmo. Sério. Eu posso ser a melhor amiga de todas! Aquela que te coloca para cima e te ajuda a esquematizar planos de vida, mas eu necessito do meu espaço, bem como dos meus dias de solitude. E se eu não tiver isso, eu atinjo um nível de amargura tão alto, que me torno incrivelmente intolerante e me fecho em um casulo, sendo consumida no mais alto nível de IBU. Confesso, sou assim mesmo - e não tenho orgulho disso.

E qual foi o resultado de tudo isso? Bem, chegou um momento que a família compreendeu que eu não queria mais estar com eles, e foi aí que eles perderam total empatia por mim e começaram a ser bem duros comigo. Por mais que eu não estivesse disposta a estar com eles, isso não justifica a forma como eles me trataram, mas eu tento pensar que somos todos humanos, e que assim como eu errei, eles também erraram em alguns pontos, por mais que eles não vejam as coisas dessa forma.

Além disso, eu não me sentia confortável morando em um local meio casa/meio trabalho, com pessoas meio família/meio chefes. Entende? Eu nunca me senti inteiramente em casa. Tinha a impressão de que deveria estar sempre sorrindo e disposta a conversar, mesmo se eu só quisesse dar uma rápida passadinha na cozinha para preparar um café.

De toda forma sou muito grata por tudo o que passei, pois sem essa experiência eu não estaria realizando todos os lindos projetos que venho realizando agora. No final das contas, se você me perguntar se vale a pena ser au pair, a resposta sempre será: depende de você.

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