eu quero é ver a mulherada esfregando no rosto alheio

Abra seu feed do Instagram, dê umas poucas deslizadas para baixo e sinta sua auto-estima escorrendo lentamente pelos seus joelhos até tocar o chão, formando uma lamentável poça argilosa que suja seus pés. Construir esse tal de amor-próprio é uma longa caminhada a pé, mas vê-lo desmoronar é tão rápido quanto um like. Vivemos em um mundo onde é fácil (e esperado) não gostar de si mesmo, e quando resolvemos contrariar essa onda de desamor automaticamente recebemos o detestável rótulo da presunção, principalmente se você tiver nascido no corpo de uma mulher nesse planeta Terra.

Isso aconteceu comigo em um bar pouco tempo depois de ter me mudado para Paris. Minha amiga Carolina e eu estávamos tomando uns pints e colocando a conversa em dia, quando um homem desconhecido surge à nossa mesa para desenrolar o famoso flerte. Ele chegou falando em Francês, e eu respondi em Francês com meu sotaque estrangeiro, foi então que ele notou que não éramos francesas. Por mais que meu sotaque revele minhas origens, eu me viro muito bem no Francês, fazendo uso de palavras que alguns franceses consideram "refinadas". Bem, esse moço do bar ficou espantado quando eu disse que havia começado a falar Francês havia poucos meses sem ao menos ter estudado, o que desencadeou a pergunta "como você conseguiu aprender tão rápido?". Respondi dizendo "tenho um bom ouvido para aprender línguas... sei lá, sou inteligente", e somente porque eu havia feito uso da palavra "inteligente", ele arqueou suas sobrancelhas e disse "esnobe, não é?".

Resumo da história: se você não quiser ser considerada a esnobe na mesa do bar, não reconheça seus pontos fortes em público. Em vez disso, lance aos ares curtos e charmosos traços de fraqueza e incapacidade, porque é isso que dickheads algumas pessoas querem ouvir.

Eu, pelo contrário, não quero ouvir essas amostras de vômito saindo pela boca de mulher alguma. Eu quero é ver mulheres seguras de si e cientes das maravilhas que podem criar. Eu quero é ver a mulherada orgulhosa da sua arte e de seus projetos. E tem é que esfregar no rosto alheio! Tem é que agarrar um megafone e sair pela rua dizendo EU SOU UM MULHERÃO DA PORRA! Eu amo escutar minhas amigas falando sobre sua evolução como indivíduo e tudo o que vêm aprendendo e conquistando. Eu ficou louca de paixão quando elas me mandam um nude lacrador ostentando confiança do seu templo sagrado. E toda vez que eu vejo uma mulher transparecendo essa gloriosa e dourada aura, eu ergo meu copo e digo: um brinde ao auto-conhecimento.

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