aprendendo a meditar

Faz 01 ano que estou aprendendo a meditar. Por mais que 01 ano pareça bastante tempo, ainda não me sinto madura o suficiente para dizer que sei meditar com excelência. E tudo bem, sabe? Não tenho pressa para aprender, pois não tenho prova marcada, logo se às vezes não consigo meditar, levo isso numa boa, sem me frustrar, nem desistir. Inclusive, creio que este seja o maior fator desestimulante: a frustração. Já ouvi pessoas dizendo "não consigo meditar, isso não é para mim", só porque tentaram algumas vezes e não obtiveram sucesso na prática - aquilo que mencionei no post tela crua da alma sobre nos rotularmos sem ao menos nos conhecermos.

Acontece que meditação é uma prática que requer treino assim como qualquer atividade física e intelectual, então tenha em mente que vai levar algumas boas horas até você começar a entender o que está fazendo. Meditar não é apenas sentar com as perninhas cruzadas e ficar em silêncio. Pode até parecer que uma pessoa em estado meditativo não está fazendo coisa alguma, mas, na verdade, pode apostar que ela está realizando esforço para manter a mente plena; para se manter mindful.

Existem vários tipos de meditação, como zazen, vipassana, transcendental, mindfulness, qigong, etc. Atualmente venho aprendendo sobre zazen, mas a primeira técnica com a qual me deparei foi mindfulness, a qual recomendo àqueles que estejam sofrendo por estresse e ansiedade, e que não façam ideia de como dar o primeiro passo nesse caminho de meditação. Mindfulness é uma prática muito acessível para quem está recém começando, pois apenas duas coisas se fazem necessárias: seu corpo e a vontade de ser mindful.

como pratico mindfulness

Não há uma única postura correta para praticar mindfulness, ou seja, ora medito sentada em uma poltrona, ora me sento no chão com as pernas cruzadas (meu favorito), ora deitada na cama antes mesmo de dormir. Tampouco há um local e um momento específico para a prática, o que me permite ser mindful quando estou no metrô, caminhando em um parque ou mesmo na hora do coffee break. E é por isso que gosto tanto dessa técnica, é como se eu tivesse pequenas doses de meditação ao longo do dia, que me salvam naqueles momentos que estou prestes a surtar - posso até parecer de boinhas, mas você não sabe a guerra que se passa na minha mente :)

Uma vez que decidi focar nesse estado de mente plena, começo a prestar atenção na minha respiração, no movimento que meu peito faz toda vez que inspiro e expiro, meus braços, minha barriga; na temperatura do ar que entra e sai pelas narinas; na temperatura em diferentes partes do corpo. Será que ainda estou tensa? Noto que ainda não estou completamente relaxada e confortável, e gentilmente alinho minha coluna e relaxo os ombros. Nesse momento crio consciência de que estou dentro do meu corpo e em cada pedacinho dele.

Meu foco está no meu corpo e nos sentidos. Estou ciente do aroma do ambiente, do gosto na minha boca, do toque da minha roupa na minha pele e de barulhos ao redor. Enquanto isso, minha mente, que apenas faz o seu trabalho de não-parar-de-pensar-por-um-segundo-sequer começa a me mandar imagens e pensamentos, ora positivos, ora negativos - e tudo bem!

Gosto de pensar que nossa mente é como uma tela de TV - por mais que eu não assista televisão. Novelas, filmes, noticiários, comerciais e vários outros programas estão passando na TV. Às vezes nos identificamos com alguns deles, às vezes não, e o que fazemos quando não gostamos do programa? Trocamos de canal. E é isso. Ser mindful é a prática de trocar o canal da sua mente e deixá-lo ir. Para onde? Não sei, pois isso não importa agora. O que importa é ter consciência dos seus pensamentos, vê-los vindo e deixá-los partir sem julgamento. Você não é seus pensamentos, e sim um expectador. É você que decide o que faz com essa informação.

Além de ser uma forma de relaxamento, a prática de mindfulness requer concentração no que diz respeito ao balanço de imagens, sentidos e respiração. A melhor forma de entender o que estou falando é partir para a prática! Caso você queira alguma forma de orientação, eu recomendo demais o app Headspace, com audios que te guiam ao longo da experiência, dizendo o que você deve fazer e mentalizar.

sensações meditativas

Hoje em dia já não preciso mais da ajuda do aplicativo, pois agora entendo como o processo funciona e sou capaz de ser minha própria guia. Inclusive, já atingi um nível em que frequentemente experiencio sensações meditativas. A sensação que mais frequentemente experimento é a de girar em torno do meu próprio eixo. Sim. É complicado entender essa sensação sem devidamente experienciá-la. Sinto como se estivesse sentada em uma daquelas cadeiras de escritório que giram 360º, enquanto meu corpo gira rapidamente para a esquerda e para a direita ao mesmo tempo.

É estranho? Sim. É prazeroso? Demais! Dá medo? No início sim, pois nem ao menos sabia o que eram essas tais sensações meditativas, então quando comecei a "girar" pela primeira vez, abri meus olhos no mesmo instante, tentando entender o que estava acontecendo. Saltei em direção ao laptop e digitei no Google: meditação girando. Et voilà, eis que descubro essas fantásticas sensações, das quais não precisamos ter medo.

Amo girar em torno do eixo. Amo a tranquilidade que permanece comigo depois de alguns minutos de meditação. Amo reconhecer que sou meu corpo, minha mente e meu espírito :)

Comentários

Form for Contact Page (Do not remove)