o último quarto lunar

as velas
as chamas
o amarelo que desenha dançarinas estranhas
o resto da sopa que deveria me aquecer
o fluxo das gotas que decoram a janela do meu quarto
trazem aconchego
e um suspiro solitário

o último quarto da lua
arranha as paredes do meu útero
pressiona de mansinho meu peito frágil
faz carinho no meu rosto
namora minha boca
de beijinho em beijinho
como se tivéssemos a noite toda

meu dourado halo desmorona
derrete
escorre
se funde lento e viscoso
à lava que jorra meu vulcão
não há para onde fugir
deixo a cidade pegar fogo
sinto a dor
até o
fim

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