o azul, a folha, a morte

por alguns segundos
em diversos segundos do meu dia
achei que tivesse encontrado seus olhos
achei que eles tivessem encontrado os meus
também eram azuis
mas não azuis como os seus

anseio admirar outros tons
mas você me assombra
você é parte da minha sombra
à noite me visita
como costumava fazer
você me persegue
e isso é coisa da minha cabeça
pois sei que no seu teatro noturno
não sou protagonista
nem figurinista
tampouco fui convidada para aplaudir

obrigada por ter sido uma folha
na árvore da minha vida
mas o Outono assobia seu fim
está na hora de deixá-lo cair
vê-lo balançando
para longe de meus galhos
deixá-lo morrer
para que outras folhas possam nascer

sopro gélido invernal
tira meus cabelos para dançar
me desperta do devaneio
mal posso me mover
quero chorar
movo meus olhos para cima
infinda e homogênea manta cinza
me acostumo com o frio
o mais frio dos Invernos
minhas lágrimas aquecem meus olhos
e qualquer caminho que traçam
sob as várias estradas do meu rosto

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