bailarina morre para nascer

No dia que meu amigo Bernardo tirou essa foto, eu estava com o coração partido e ininterruptamente tentando mentir para mim mesma que tudo estava bem. Lacrimejando e até deixando escapar uma lágrima ligeira aqui e acolá, meu rosto esculpia um sorriso, minhas pernas saltitavam ao som do silêncio, e as seguintes palavras me ajudavam a manter o ritmo:

dançando a dança da mentira
praticando rodopios de ilusão
um, dois, três, quatro
meu coração não está quebrado

Alguns dias se passaram desde então e, assim como havia prometido, tudo ficou bem. Hoje, meu coração carrega outro sentimento, e cada pedaço que se parte do meu coração se transforma em arte, gratidão e empatia. A tormenta passou, e agora fico atenta para não perder minha alma por aí, que voa tão leve e tão pura quanto o voo de um balão azul; que dança e se movimenta conforme a vontade dos ventos. Estou admirando a mesma foto, mas as palavras que estão por vir carregam outro espírito. Imutável permanece aquele momento, mas não eu, então fico a cantarolar:

baila, bailarina
só se aprende com a dor
você tem muito que aprender
o vento sopra seu despertar
leva seu tule para passear
um, dois, três, quatro
seu coração pode até estar quebrado
o fruto tomba do mais alto dos galhos
a morte é a apenas o início
a vulnerabilidade em semente
grita pelo renascer
ela é forte
vai crescer
vai tombar
vai morrer
e lindos frutos
novamente vão nascer

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