despertar

querida mamãe
mamãe passarinho
que tanto me ensinou
no conforto de nosso ninho

passarinho sou também
você me ensinou a cair
me recuperei
não desisti
persisti em meu lindo voo
e assim voei

bati asas perto de nosso lar
desviei de alguns galhos
enfrentei frias alturas
nem mesmo cogitei temer
pois você é passarinha
passarinha sou também
e essa bravura vem de alguém

voei em busca do Sol
acabei encontrando a Lua
ah mamãe, a Lua...
nunca temi a Lua
mas sempre fugi de sua sombra
a mansidão da noite não se cala
escuro obscuro tapete cintilante
desenrola pensamento angustiante
raros os passarinhos
que ousam nele se deitar

e me deitei, mãezinha
como areia movediça
nele mergulhei
não há escapatória
saída contraditória
tentei alcançar o topo
e enxergar a luz que vem de fora
me encontrei em escuridão
e agora, mamãe?
estaria eu no limbo?
paraíso?
inferno?
seria eu porta-voz do Diabo?
pobre coitado
nunca fora respeitado

em meio a confusão
eis que enxergo
enfraquecido brilho da invisível faísca
achei que estava cega
mas agora posso ver
você acha que estou cega
mas de uma coisa estou certa
há tanta luz aí fora
que mal se pode enxergar
se você um dia se questionar
te convido a afundar
mas deixe a boca aberta
engula areia que liberta
te desperta
que contigo flerta

achei que mergulhava fundo
nessa gentil água censurada
quando brincava em uma pequenina gota
de um limitado mar
que habita apenas um oceano
que não completa ao menos um verso
da desconhecida melodia
que canta o universo

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